Anvisa aprova medicamento que agiliza tratamento do tipo mais comum de AVC
Nova formulação é alternativa à infusão prolongada, com dose única de segundos; fármaco ainda depende de precificação e importação para chegar aos serviços
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para tratar o AVC isquêmico, que responde por 85% dos casos desse tipo de quadro. A tenecteplase — que será comercializada com o nome Metalyse, produzida pela Boehringer Ingelheim — passa a integrar as opções para pacientes atendidos nas primeiras 4,5 horas após o início dos sintomas.
A principal diferença dessa medicação para as já usadas por aqui está na forma de aplicação. Em vez de uma infusão contínua que pode levar cerca de uma hora, a tenecteplase é administrada em uma única dose intravenosa, em 5 a 10 segundos.
Para a neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, essa agilidade é justamente o que transformar o atendimento. Ela explica que a tenecteplase é uma versão modificada da alteplase — o medicamento padrão atual — feita para agir de forma mais direcionada no coágulo e permanecer ativa por mais tempo no organismo. “Isso permite que todo o tratamento seja feito de uma vez só, sem depender de bomba de infusão. O paciente não fica ‘preso’ a equipamentos e pode ser levado imediatamente para tomografia, trombectomia ou transferência, se necessário”, afirma.
Isso, na opinião dela, pode reduzir as chances de sequelas e também pode otimizar tratamentos em cenários de maior pressão assistencial, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), da rede pública. “Outra coisa a se levar em consideração é que, em termos sociais, pacientes que recuperam independência funcional geram menores custos previdenciários, menor necessidade de cuidadores e maior capacidade produtiva, o que amplia ainda mais o impacto positivo para a rede pública”, diz Martins.
Disponibilidade
Apesar da aprovação, o medicamento ainda não está disponível. Segundo a Boehringer Ingelheim, fabricante da tenecteplase, ainda é preciso passar por etapas de precificação e pelo processo de importação, o que pode levar até três meses.
Nos hospitais privados, a compra dependerá de cada instituição. Já no Sistema Único de Saúde (SUS), o medicamento ainda precisa passar por avaliação para possível incorporação nacional. Até lá, cada estado ou município pode decidir — ou não — incluir o remédio em seus próprios protocolos.








