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As descobertas da veterinária que podem ajudar seu pet a viver mais

Suplementação vem ganhando destaque na medicina veterinária; pesquisas indicam benefícios, mas é preciso ter orientação profissional

Por Redação 1 out 2025, 15h53 • Atualizado em 1 out 2025, 18h19
  • Graças aos avanços da nutrição e da medicina veterinária, os pets — especialmente cães e gatos — estão vivendo mais. E, assim como acontece com nós, humanos, o envelhecimento traz desafios previsíveis: perda de massa muscular, alterações metabólicas, doenças articulares, declínio cognitivo e até condições neurodegenerativas, como um tipo de Alzheimer. Diante disso, a medicina veterinária também busca alternativas para reduzir os impactos dessa fase. E é nesse cenário que a suplementação começa a ganhar estudos e espaço.

    Os suplementos não visam substituir uma dieta equilibrada, mas podem oferecer suporte e benefícios em situações como a presença de doenças crônicas ou a recuperação de um procedimento. “O ponto-chave é individualizar: definir objetivo, dose e tempo de uso, sempre com acompanhamento profissional e reavaliações periódicas”, destaca a veterinária Adriana Dausen Meyer, head de pesquisa e inovação da Organnact, uma das empresas que investem no segmento.

    Como identificar o envelhecimento dos animais?

    O envelhecimento é um processo complexo. Com o tempo, o organismo perde gradualmente a capacidade de manter o equilíbrio diante de desafios internos e ambientais. Além disso, o relógio biológico não corre no mesmo ritmo para todos. Por exemplo: quando se trata dos cães, raças de grande porte entram na fase sênior entre os 5 e 8 anos, enquanto as de pequeno porte costumam ser consideradas idosas a partir dos 10. Fatores genéticos ligados ao porte e à raça também influenciam o risco de determinadas doenças.

    Alguns sinais clínicos e comportamentais podem indicar que o amigos de quatro patas entrou na fase sênior:

    • Pelagem e pele: surgimento de pelos brancos, opacidade e perda de elasticidade da pele
    • Peso corporal: perda de massa muscular (sarcopenia), redistribuição de gordura ou tendência à obesidade
    • Mobilidade: rigidez ao acordar, relutância em subir escadas ou dificuldade para se levantar
    • Atividade: menor disposição para brincar ou passear
    • Apetite e sentidos: alterações no olfato, paladar, apetite ou ingestão de água
    • Trato urinário e intestinal: aumento da frequência de micção, constipação ou episódios de incontinência
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    Vale lembrar: assim como acontece conosco, o envelhecimento é individual. Nem todos os animais apresentarão os mesmos sinais — e, em alguns casos, eles podem nem ser visíveis. Daí a importância do check-up regular. “A maioria dos pets atravessa bem essa etapa, desde que as mudanças sejam monitoradas por um médico-veterinário, o que ajuda a preservar a vitalidade, reduzir vulnerabilidades típicas da senescência e garantir qualidade de vida”, ressalta Adriana.

    Quais são as evidências mais consistentes?

    Diretrizes internacionais, como as da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA) e da Federação Europeia da Indústria de Pet Food (FEDIAF), reconhecem que o envelhecimento exige ajustes nutricionais específicos, embora não estabeleçam suplementos obrigatórios. A ênfase está em princípios gerais e em nutrientes-chave que devem receber atenção redobrada nessa fase da vida.

    A FEDIAF, responsável pelas diretrizes europeias de formulação de alimentos completos, destaca pontos como: controle do fósforo e uso de proteínas de alta digestibilidade (essencial em pets predispostos a doenças renais), aporte adequado de fibras solúveis e insolúveis para o equilíbrio da microbiota, ajuste de energia para manutenção do peso ideal e inclusão de ácidos graxos ômega-3, sobretudo o DHA, fundamental para saúde neurológica e visual.

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    Já o comitê de nutrição da WSAVA reforça a importância da avaliação individualizada e periódica, já que o envelhecimento é um processo heterogêneo. Entre os nutrientes mais estudados estão os ácidos graxos ômega-3 (EPA e DHA), relacionados à saúde cognitiva, renal e articular; triglicerídeos de cadeia média (MCTs), associados ao suporte cerebral em cães idosos; além de fibras funcionais, prebióticos e probióticos específicos, que favorecem imunidade, saúde intestinal e metabolismo energético.

    Entre os compostos com maior respaldo científico estão:

    • Ômega-3 (EPA e DHA): há estudos demonstrando benefícios em animais com osteoartrite, melhorando a mobilidade e reduzindo inflamações; também é estudado no suporte cognitivo.
    • Triglicerídeos de cadeia média (MCTs): fonte alternativa de energia para o cérebro, com estudos mostrando melhora em casos de disfunção cognitiva.
    • Antioxidantes (vitamina E, complexo B, selênio, arginina): associados à proteção cerebral quando combinados à dieta.
    • Fibras e prebióticos: favorecem o trânsito intestinal, o equilíbrio da microbiota e a imunidade.
    • Probióticos específicos: em alguns casos, contribuem para a saúde intestinal.
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    Apesar do potencial, é válido dizer: nem todos os suplementos têm eficácia comprovada por estudos robustos em todas as situações. O exemplo clássico é o ômega-3. Há evidências de benefício em certos quadros, mas os resultados variam conforme a dose, a pureza, a formulação e até fatores genéticos do animal. Em humanos, revisões já mostraram resultados semelhantes — e parte desse debate se reflete na veterinária.

    Em outras palavras, é difícil falar em “eficácia absoluta” ou “ineficácia”. Em alguns animais, o suplemento traz melhora visível. Já em outros, a resposta é discreta ou inexistente. Tudo depende do estado clínico, do estágio da doença e da formulação. Para Adriana, a geriatria nutricional deve ser entendida como um “campo de ajustes finos”, em que dieta e suplementação são adaptadas de forma contínua, sempre sob orientação veterinária.

    Os riscos da automedicação

    Quando se trata de automedicação, a história se repete: oferecer suplementos sem orientação pode ser prejudicial para os amigos de quatro patas, assim como acontece conosco. Isso porque a ideia de que “quanto mais, melhor” não se aplica a esses compostos, geralmente produzidos pelo nosso corpo (endógenos) ou obtidos pela nossa alimentação no dia a dia. “O excesso de cálcio, por exemplo, pode desbalancear a dieta e comprometer ossos e rins”, alerta Adriana. Além disso, suplementar por conta própria pode mascarar doenças em estágio inicial. Cada animal tem necessidades específicas, e o que funciona para um pode não ser adequado para outro.

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    Por outro lado, assim como acontece com os humanos, há práticas consolidadas que também ajudam a promover uma vida mais longa e saudável nos pets, como manter o peso adequado, oferecer alimentação balanceada, estimular exercícios físicos — como caminhadas e brincadeiras — garantir check-ups veterinários periódicos e proporcionar um ambiente enriquecido. Seguindo essas medidas, a expectativa de vida tende a aumentar, preservando também a qualidade de vida, a mobilidade e o bem-estar dos animais.

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