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Bolsonaro: entenda a cirurgia e os próximos passos do processo de recuperação

Procedimento foi descrito como 'complexo e trabalhoso' por médico Cláudio Birolini; 'liberação de aderências é feita centímetro a centímetro'

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 abr 2025, 11h58 • Atualizado em 14 abr 2025, 12h31
  • Na sétima operação desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro levou uma facada, em 2018, a equipe médica do hospital DF Star Rede D’Or realizou um procedimento descrito como “complexo e trabalhoso” para liberação de aderências intestinais, reposicionamento do intestino e reconstrução da parede abdominal, uma cirurgia que durou 12 horas neste domingo 13.

    Bolsonaro foi transferido para o hospital em Brasília após ser internado em Natal com um quadro de distensão abdominal por suboclusão intestinal. Quando estava na capital potiguar, não havia previsão de cirurgia de emergência. A situação mudou, segundo Cláudio Birolini, médico-chefe da equipe cirúrgica, em função de alterações em marcadores inflamatórios, avaliados pelo teste de PCR, e do fato de que as medidas clínicas, como a suspensão da alimentação, não reverteram a distensão, conforme apontaram exames de imagem.

    “O valor normal do PCR é abaixo de 1. O inicial dele era de 6. Doze horas depois, subiu para 40. Aqui, chegou a 150”, disse Birolini em coletiva na manhã desta segunda-feira 14. A alteração, segundo ele, é um sinal precoce de que há algum problema. Como se trata de uma região propícia à proliferação de bactérias, o cuidado acaba sendo redobrado.

    Cirurgia delicada

    A cirurgia realizada em Bolsonaro demorou 12 horas por causa da necessidade de desfazer as aderências em um intestino que já tinha sido operado outras vezes e que, nas palavras do médico que conduziu o procedimento, estava “sofrido”.

    A complexidade se apresentou logo no início. “A gente tinha em mente que seria um procedimento complexo e trabalhoso. Era um abdome hostil, com aderências causando obstrução intestinal e a parede intestinal danificada por causa da facada e de cirurgias prévias. Para a gente conseguir acessar a cavidade abdominal, foram duas horas de cirurgia. Mais quatro a cinco horas de liberação de aderências”, explicou Birolini.

    Essa liberação das aderências é um processo delicado, que exige a sutileza de avaliar o intestino, detectar os pontos em que ele está preso e soltar sem causar lesões. No caso do ex-presidente, havia um ponto principal de obstrução em uma situação que se arrastava há meses, causando desconforto, como sensação de estufamento, e já caminhava para um quadro crônico, segundo o médico.

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    “A liberação dessas aderências é milimétrica, centímetro por centímetro para liberar o intestino, porque ele estava sofrido. Liberamos as aderências, e o intestino foi reposicionado de forma ordenada na cavidade abdominal.”

    O passo seguinte foi refazer a estrutura que protege os órgãos no abdome. “Uma vez finalizada essa parte, a gente começou a segunda etapa, que é a estratégia de reconstrução da parede abdominal. Nessas condições, não está escrito no livro, e a gente tem de reposicionar de acordo com o achado. Fizemos o ‘arroz com feijão’, e o resultado final foi bastante satisfatório.”

    Recuperação de Bolsonaro e retomada de viagens

    Em cirurgias desse porte, as primeiras 48 horas são cruciais e demandam cuidados para evitar infecções. No momento, Bolsonaro recebe terapia com antibiótico de forma preventiva e faz fisioterapia para evitar a perda de massa muscular. Está acordado e consciente. As visitas serão restritas, no momento, porque não é indicado que o ex-presidente converse muito.

    “Nos cuidados pós-operatórios, o organismo do paciente acaba tendo uma resposta inflamatória muito importante. Isso é normal, mas pode levar a uma série de intercorrências: aumenta o risco de infecções, de necessidade de medicamentos para controlar a pressão, porque os vasos dilatam, aumento do risco de trombose, problemas de coagulação do sangue e precisa ter um cuidado específico com o pulmão. Todas as medidas preventivas são tomadas, por isso que ele está na UTI. Vai ser um pós-operatório delicado e prolongado”, afirmou, também em coletiva, Leandro Echenique, cardiologista do ex-presidente.

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    A alimentação via oral permanece suspensa e só deve ser retomada quando o intestino retomar suas funções. “A primeira fase do pós-operatório, as primeiras 48 horas, são bastante críticas. Depois, entra na outra fase, que é mais tranquila e não tem evolução rápida. Precisamos deixar o intestino descansar, desinflamar e retomar sua atividade para só depois pensar em alimentação via oral”, explica Birolini.

    Até lá, a nutrição será parenteral, ou seja, diretamente na veia. A internação deve durar duas semanas e a orientação médica é de que Bolsonaro tenha um ritmo de vida mais tranquilo ao menos nos próximos três meses para uma recuperação adequada. Mas já ficou claro, durante a coletiva, de que não será fácil.

    Quando questionado sobre a retomada de viagens, Birolini disse que vai tentar conter o ex-presidente mesmo sabendo de sua agenda cheia. Bolsonaro realizava a caravana Rota 22 ao passar mal no Rio Grande do Norte.

    “Nossa expectativa é de que ele volte a ter um padrão de vida melhor, se alimentar melhor e que seja sem restrições, exceto no pós-operatório imediato nos próximos dois ou três meses, que precisa conter a parede abdominal com cinta. Ele tem uma agenda intensa e é difícil segurar. Vou tentar segurar na medida do possível, mas ele tem o ritmo dele.”

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    Bolsonaro será operado de novo?

    A menos que tenha alguma intercorrência grave, não há previsões de novas cirurgias em Bolsonaro, segundo os médicos. Também não está prevista a colocação de bolsa de colostomia relacionada à cirurgia deste domingo.

    Não é possível, dizer, no entanto, se procedimentos poderão ser realizados no futuro, tendo em vista que a formação de aderências deve continuar ocorrendo.

    “Novas aderências vão se formar, por mais que a gente solte, não posso falar que está resolvido o problema. Quando abre um abdome de uma pessoa que fez uma cirurgia, as alças intestinais têm aderências”, explica Birolini.

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