Botox: quais cuidados devem ser adotados após alerta sobre casos de botulismo?
Anvisa recebeu notificações de dois casos da doença relacionados ao uso da toxina botulínica; aplicação deve ser feita por especialistas

Após o alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre notificações de dois casos de botulismo relacionados à aplicação de toxina botulínica, mais conhecida como botox, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) emitiu comunicado com orientações para que o uso da substância não cause episódios da doença, que é considerada grave e de notificação compulsória pelo risco de desencadear paralisias, comprometimento da respiração e até levar à morte.
O alerta da agência foi direcionados a profissionais que utilizam a substância para fins estéticos ou terapêuticos, como para o tratamento de enxaqueca e hiperidrose (suor excessivo), considerando não só as notificações, mas o fato de que o botox contém a mesma toxina que causa o botulismo. Na doença, segundo a Anvisa, a substância ataca as células nervosas do organismo, principalmente dos músculos faciais e se espalha para braços e pernas, causando paralisia.
“Em casos raros, o botulismo pode ocorrer em decorrência da aplicação da toxina botulínica, quando a toxina circula no sangue e produz efeitos em locais distantes do local da injeção”, explica a agência.
Segundo o Ministério da Saúde, os principais sintomas do botulismo são dores de cabeça, vertigem, visão turva, tontura, sonolência, dificuldade para respirar, paralisia da musculatura respiratória e dos braços e pernas, além de náuseas, vômito e diarreia. É necessário buscar auxílio médico imediatamente, porque a doença tem cura e não deixa sequelas se tratada adequadamente.
Em nota oficial, a SBD destacou a importância do uso de botox de procedência certificada e que o paciente esteja ciente do produto que está sendo utilizado.
“Recomenda-se fortemente que, antes da aplicação, seja realizada a verificação do rótulo do produto, garantindo sua autenticidade e segurança. Clínicas comprometidas com boas práticas seguem rigorosos protocolos, incluindo o registro do lote e do fabricante no prontuário do paciente, assegurando a rastreabilidade do insumo utilizado.”
Outra orientação é que o procedimento seja realizado apenas por profissionais habilitados para a aplicação do botox, caso dos dermatologistas e cirurgiões plásticos, que seguem os padrões internacionais validados por estudos científicos no que diz respeito à aplicação e à dosagem.
“É importante destacar que a dose empregada em tratamentos dermatológicos para a atenuação de rugas dinâmicas é comprovadamente segura, conforme evidenciado por inúmeros estudos científicos publicados ao longo dos últimos 25 anos”, afirma a entidade.
A Anvisa também fez uma lista de recomendações para profissionais que trabalham com a aplicação do botox:
- Utilize somente produtos aprovados pela Anvisa e dentro do prazo de validade. A consulta da regularidade de uma toxina botulínica pode ser feita pelo sistema de consultas, usando dados como nome do produto ou CNPJ do fabricante, disponível na embalagem
- A aplicação deve ser feita por profissionais habilitados e em serviços de saúde autorizados pela vigilância sanitária local. A regularidade do estabelecimento deve ser checada diretamente com a vigilância sanitária do município onde o estabelecimento está localizado
- Siga as orientações da bula, especialmente em relação ao intervalo necessário entre as aplicações. O intervalo entre as seções de aplicação é variável de acordo com o tipo do produto e o profissional de saúde deve orientá-lo a respeito deste assunto
- Ao fazer o procedimento, o paciente tem o direito a ser integralmente informado e deve checar informações como marca do produto, lote e validade
- Aos profissionais, a Anvisa destaca que é importante perguntar aos pacientes sobre o histórico de injeções de toxina botulínica, incluindo a data, indicação e a dose de aplicações prévias, de forma a garantir que as aplicações ocorram em intervalos adequados
Botox vencido
No mês passado, a Anvisa interditou clínicas de estética por falhas de limpeza, presença de produtos de uso proibido, injetáveis em condições impróprias, botox vencido há mais de dois anos e até equipamentos com “restos aparentes de sangue”.
Dos 31 estabelecimentos vistoriados em Brasília (DF), Guará (DF), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), Osasco (SP), Barueri (SP) e São Paulo (SP) , apenas um não tinha problemas.