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Como combater a solidão na velhice? Especialista em longevidade responde

Alexandre Kalache, que há 50 anos estuda o envelhecimento, explica como viver esse período da vida com mais leveza e felicidade

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jan 2026, 10h00 •
  • Especialista em estudos sobre longevidade e envelhecimento, o médico gerontólogo Alexandre Kalache assegura que a velhice é o momento da vida em que as pessoas mais precisam de afeto – embora seja também, para a maioria, o auge da solidão. “A boa notícia é que elas podem encontrar, mais maduras, diversas formas de satisfação e prazer”, explica o pesquisador.

    Uma das dicas para viver esse período com mais leveza e felicidade, segundo ele, é descobrir novos caminhos para experimentar o sexo, sem o tabu de que o prazer sexual é reservado aos jovens. “Envelhecemos e continuamos tendo desejo, mas o exercício da vida sexual se transforma. As ideias mais tradicionais sobre como ser feliz na cama são substituídas pelo toque, pelo carinho”, afirma.

    Outro conselho do médico é repensar o processo de aposentadoria e substituir um desligamento repentino e integral do trabalho, que pode trazer um “súbito vazio”, por uma redução gradual das horas de trabalho, acompanhada do aumento das horas de lazer.

    “Não faz sentido cumprir um batente de 9h às 17h num dia e, no seguinte, não saber mais o que fazer com tanto tempo livre. Uma outra estratégia, que já começa a ser adotada, é se dar vários sabáticos ao longo da vida — inclusive na maturidade, indo e voltando ao universo do trabalho”, sugere.

    O médico também propõe cuidado com a “busca frenética pela juventude eterna”, que segundo ele reflete uma ansiedade social. “Quem quer fazer uma intervenção pontual para melhorar a autoestima e se sentir bem que vá em frente: é uma decisão de cada um. O problema são as engrenagens de uma indústria que quer vender a ilusão de que é possível deter o tempo.”

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    Kalache critica ainda o tabu que envolve as casas de repouso. Para o médico, em muitos casos, essa é uma boa solução, desde que o local passe por um crivo de qualidade. “Em lugares como esses, os mais velhos podem encontrar companhia, vida social e tratamento de alto nível para problemas de saúde. A negligência e o abandono estão muito mais presentes dentro de casa, encobertos. É um mal silencioso.”

    Leia a entrevista completa com Alexandre Kalache nas Páginas Amarelas de VEJA.

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