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Como identificar a tosse da Covid-19?

O vírus causa irritação nas vias aéreas e insuficiência respiratória, o que provoca a reação do organismo

Por Alexandre Senechal Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 Maio 2020, 17h09 • Atualizado em 12 Maio 2020, 17h14
  • Em tempos de pandemia do novo coronavírus, qualquer tosse de uma pessoa próxima já é motivo para causar preocupação. Mas, afinal, com o que devemos nos incomodar? O acometimento das vias respiratórias pela Covid-19 causa uma infecção que gera uma inflamação. A resposta do organismo ao estímulo vem em forma de uma tosse seca. A intensidade pode variar. Alguns pacientes podem ter em grande quantidade, enquanto outros podem apresentar pouco.

    Especialistas ouvidos por VEJA afirmam que o vírus atinge e inflama as vias aéreas e a primeira resposta do organismo é reagir à irritação com a tosse seca, sem expectoração, porque é uma particularidade da Covid-19 não aumentar a produção de muco – ao contrário do que acontece com outras enfermidades como a pneumonia, por exemplo. Para a origem do problema há mais de uma explicação.

    Franco Martins, pneumologista da faculdade de medicina do ABC explica que para conseguir entrar na célula, o coronavírus se liga a um receptor chamado ECA-2 (enzima conversora da angiotensina 2). A enzima está presente em grande quantidade nas células pneumócito tipo II, que ficam nos alvéolos pulmonares. Com a inflamação, a troca de O2 por CO2 é comprometida e o indivíduo sente falta de ar e cansaço. A tosse seca é uma resposta do organismo para condição comprometida daquela região.

    “O influenza atinge a região nasal e a garganta e tinha como sintomas o nariz escorrendo, dor de cabeça e uma sensação de sinusite. O coronavírus é de outra família e se liga ao ECA-2, um receptor que está presente em vários lugares, mas em concentração muito maior no pneumócito tipo II. Existe a inflamação em toda a via respiratória, mas é mais aguda na região pulmonar, dentro dos alvéolos. O vírus causa uma inflamação mais intensa no local, estimula a parte nervosa e gera o reflexo da tosse”, afirma Martins.

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    Paulo Abrão, professor de infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que há outro tipo de acometimento:  o problema já nas primeiras vias aéreas é suficiente para o aparecimento do sintoma. “No meu modo de entender, a maior parte da tosse vem da irritação de faringe, tranqueia e brônquios. Existe a infecção sim das células com muito ECA-2 e isso causa baixa oxigenação, o que leva a pessoa para a necessidade de utilizar um respirador. O que gera a tosse é a irritação dessas vias aéreas”.

    A infecção causada pelo coronavírus dificulta a oxigenação do corpo e pode gerar quatro sintomas: febre, falta de ar, cansaço, além da tosse. “A febre acontece porque os leucócitos (glóbulos brancos) vão elevar a temperatura para favorecer o combate ao vírus. O cansaço aparece pelo mesmo mecanismo da febre. É um desbalanço da atividade normal. A falta de ar se dá pelo acometimento dos alvéolos. Normalmente uma pessoa com o coronavírus vai ter todos esses sintomas”, explica o pneumologista.

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