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Conheça a raposa-voadora, espécie de morcego gigante que hospeda vírus Nipah

Uma das maiores espécies de morcego do mundo, frugívora e importante para a regeneração das florestas, é também hospedeira do vírus que circula na Índia

Por Victória Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 jan 2026, 13h52 • Atualizado em 31 jan 2026, 14h10
  • O recente surto do vírus Nipah na Índia e em Bangladesh chamou atenção para uma criatura curiosa: a raposa-voadora. Pertencente ao gênero Pteropus, esse morcego é conhecido por ser o principal hospedeiro natural do vírus.

    De acordo com o Aquário de São Paulo, a raposa-voadora é um morcego de grande porte, e algumas espécies podem atingir até 1,5 metro de envergadura, o que a torna uma das maiores do mundo. Se alimenta principalmente de frutas, néctar e flores, e é encontrada no Sudeste Asiático, na Oceania, em Madagascar e em algumas regiões da África.

    Além de impressionar pelo tamanho, essa gigante tem grande importância ecológica, já que dispersa sementes e ajuda na regeneração das florestas. A maioria das populações estava em declínio, mas a situação parecia se estabilizar até 2008, quando a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) reclassificou a espécie de “em perigo” para “vulnerável” e, mais recentemente, para “quase ameaçada”.

    Brasil está livre do vírus Nipah?

    Embora a espécie não circule pelo Brasil, isso não significa que o Nipah esteja totalmente fora de alcance. O vírus também pode infectar porcos, que por sua vez transmitem a doença a humanos. Além disso, a infecção pode ocorrer pelo consumo de alimentos contaminados ou pelo contato próximo entre pessoas, o que torna possível, em tese, que um viajante de uma região afetada leve o vírus a outros países.

    Na última sexta-feira, 30, o Ministério da Saúde afirmou que o risco de uma pandemia causada pelo Nipah no Brasil é baixo. “O recente surto na Índia registrou apenas dois casos confirmados, ambos entre profissionais de saúde, sem evidência de disseminação internacional”, informou a pasta.

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    Segundo o Ministério, 198 pessoas que tiveram contato com os infectados foram monitoradas e testadas, todas com resultado negativo. “O último caso foi registrado em 13 de janeiro, indicando que o episódio está chegando ao fim”, acrescentou.

    “No Brasil, o Ministério da Saúde mantém protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em articulação com instituições de referência como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além da participação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS)”, destacou a pasta.

    Chances de pandemia

    Embora o alerta de pandemia tenha soado, especialistas e a OMS consideram remotas as chances de o vírus Nipah deflagrar uma crise sanitária internacional, como ocorreu com a covid-19. Isso se deve, principalmente, às características do patógeno e de sua transmissão.

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    “O coronavírus responsável pela emergência global em 2020 era facilmente transmitido de pessoa para pessoa por meio de tosse, espirro e gotículas suspensas no ar. Não é o caso do Nipah”, explica o infectologista Fernando Dias e Sanches, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudioso do vírus. “A infecção pelo Nipah requer contato mais íntimo e prolongado, relacionado aos fluidos corporais, ou por meio de frutas contaminadas pelos morcegos asiáticos.”

    Outro fator limitador é a alta letalidade do Nipah. Ao contrário da covid, que tinha taxa global de mortalidade em torno de 1%, o Nipah pode matar entre 40% e 70% dos infectados — um número muito mais elevado, que dificulta a propagação do vírus.

    Apesar disso, os especialistas alertam que o risco não é nulo. Vírus podem sofrer mutações que aumentam sua capacidade de disseminação, transformando zoonoses em epidemias.

    “A maior preocupação não está apenas nos vírus raros e altamente letais, nem exclusivamente nos vírus comuns e muito transmissíveis, como gripe e covid, mas no equilíbrio entre letalidade, capacidade de disseminação e disponibilidade de contramedidas”, analisa a infectologista e patologista Carolina Lázari, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial.

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