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Covid, cinco anos. Os protagonistas da crise: ‘Aprendemos a ser mais humanos’

Em segundo episódio de série, VEJA conta história de médico que esteve na linha de frente no hospital de campanha montado no estádio do Pacaembu

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 mar 2025, 16h00

Quando a circulação do vírus causador da covid-19 se instalou no Brasil, ainda no primeiro ano da pandemia, em 2020, profissionais de saúde enfrentaram uma situação de guerra. Pacientes chegavam sem parar já com quadros graves, insumos hospitalares — como máscaras e respiradores — começaram a faltar, não havia leitos para todos. A pressão afetava hospitais públicos e privados, mostrando que a doença era capaz de levar não só os pacientes ao colapso, mas impactar os sistemas de saúde.

Médicos, enfermeiros e auxiliares viram a morte de perto ao lidar com pessoas que entravam com mal-estar e pioravam rapidamente. Tiveram de se privar do contato com familiares, sofreram com medo da infecção e diante das incertezas das estratégias adotadas para salvar vidas.

Nas conversas com seus pares, compartilharam as dores e conquistas. O abraço que não podia ser dado veio em forma de aplausos da população que estava trancada em casa. Sim, para quem não se lembra, muitos de nós aplaudimos os profissionais da saúde das janelas na esperança de que a homenagem para quem estava na linha de frente naquele estágio da luta contra o vírus chegasse de alguma forma.

Em abril de 2020, menos de um mês após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a pandemia, começou a funcionar o hospital de campanha administrado pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Erguido em apenas dez dias no Estádio do Pacaembu, ele ficou marcado na história da crise sanitária no Brasil por apresentar a urgência de salvar vidas sem se esquecer do acolhimento naqueles que podiam ser os últimos momentos antes da intubação e transferência para unidades de referência para casos de alta complexidade.

Histórias vividas lá integram o segundo episódio da série “Covid, cinco anos. Os protagonistas da crise”, que conta os bastidores da emergência sanitária e traz as lembranças de quem sobreviveu ao vírus, trabalhou salvando vidas e lutou pela vacina.

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No primeiro episódio, tivemos o relato da cirurgiã coloproctologista Angelita Habr-Gama, de 92 anos, que passou 52 dias internada na UTI e venceu o vírus. Para esta semana, VEJA ouviu o pneumologista Artur Codeço, diretor médico de Cuidado Integrado Acessível do Einstein que atuou como referência técnica no Hospital de Campanha do Pacaembu.

O

momento do hospital de campanha foi logo no começo da pandemia e tínhamos muitas incertezas sobre assistência, condução dos casos e também como estariam nossas famílias e os impactos para nossas vidas. Algo que me marcou muito e levo como legado até hoje é que foi um momento de espírito de colaboração, trabalhos voluntários e trocas com o objetivo único de fazer uma abordagem muito humana.

Foi um divisor de águas colocar um hospital de pé e ter um fluxo desenhado, porque fazer um hospital de campanha é muito complexo. Vai desde geradores, rede de esgoto, ar condicionado, eletricidade até os remédios. Quando a gente foi montar, fomos procurar na literatura bases para apoiar o projeto e encontrar outras referências, mas encontrávamos mais artigos para o lado militar. Hospitais de campanha para situações de guerra.

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Um ponto importante para subir aquele hospital tão rápido foi carregar o legado do Einstein em expertise e também porque estávamos lidando com uma única doença apesar de os pacientes terem suas comorbidades e complexidades. Isso deu agilidade.

A questão emocional era muito significativa, porque a carga de horário de trabalho era muito grande e ninguém deixou de ter pais e família. Meus pais moravam em outra cidade e sabíamos do cuidado que era necessário com idosos e pessoas com comorbidades. Minha esposa estava grávida do nosso segundo filho e, embora ela também seja médica, a gente tinha medo de como seria a transmissão e possíveis impactos para a gestação, porque não tínhamos informações naquela época. O núcleo familiar me deu força, mas os profissionais de saúde viveram o estresse extremo.

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O caso mais marcante na minha família foi um tio internado com covid no Rio de Janeiro. Acompanhei à distância com o médico e essa foi a minha perda…

Tive a oportunidade de ter pessoas muito boas e que estavam vivenciando a mesma coisa por perto. Conversar e compartilhar foi importante para a manutenção da saúde mental. Tenho muito carinho pelas pessoas que participaram desse projeto, porque criamos uma relação de cumplicidade muito grande.

Aprendemos a ser mais humanos. Os pacientes ficavam em isolamento sem os familiares e tínhamos de buscar uma forma de fazer a comunicação entre eles. Então, usávamos tablets para que eles pudessem ver os familiares. Antes de intubar um paciente, fazíamos videoconferências. Lembro que alguns diziam que ia ficar tudo bem e logo estariam de volta, outros pediam para a família seguir a vida, e também tinha aquele que avisava: ‘Olha, tal coisa está naquela gaveta’. A família dava muita força.

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Se tem uma coisa que a gente aprendeu com a pandemia e que os profissionais que lidaram com pacientes graves foram testemunhas é que vacina funciona. Isso foi um marco e é o maior legado que gostaria que ficasse. 

Houve ainda um entendimento sobre a importância da saúde de forma individual e como a gente pode ter uma jornada diferente. As pessoas precisam olhar para todo o nosso caminhar e tentar evitar doenças que são preveníveis, ter qualidade de vida, manter as doenças crônicas melhor controladas e buscar saúde mental. A importância dada para a saúde é algo que a gente deveria aprender como humanidade, porque não tem nada mais importante do que a nossa saúde.

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