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Estresse acelera envelhecimento e diminui longevidade, diz estudo

Pesquisa também mostra que relaxar e fortalecer a regulação emocional e o autocontrole ajudam a ter uma vida mais longa e saudável

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jan 2022, 13h39 | Atualizado em 19 jan 2022, 11h31
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Você já se perguntou o quanto o estresse crônico acelera nosso relógio biológico? Em um estudo da Universidade Yale, dos Estados Unidos, publicado em dezembro na revista “Translational Psychiatry”, ligada à publicação científica “Nature”, os pesquisadores usaram um relógio epigenético, denominado “GrimAge”, para chegar a uma conclusão: o estresse realmente faz o “relógio da vida” passar mais rápido, acelerando o envelhecimento e diminuindo a longevidade.

“Cientistas, nos últimos anos, desenvolveram maneiras de medir a idade biológica rastreando mudanças químicas no DNA que ocorrem naturalmente com a idade, mas em momentos diferentes e em pessoas diferentes”, diz Marcelo Sady, geneticista e diretor geral da Multigene. “Eles são os chamados ‘relógios epigenéticos’, que provaram ser melhores preditores de longevidade e saúde do que a idade cronológica. Esse estudo destaca uma série de maneiras pela qual o estresse acaba sendo maléfico para diminuir nossa longevidade”, explica.

Segundo a pesquisa, o estresse prolongado pode aumentar, por exemplo, o risco de doenças cardíacas, dependência química, transtornos de humor e transtorno de estresse pós-traumático. “Ele também pode influenciar o metabolismo, acelerando distúrbios relacionados à obesidade, como diabetes. O estresse enfraquece ainda nossa capacidade de regular as emoções e de pensar com clareza”, afirma Sady.

Para o levantamento, os pesquisadores do Departamento de Psiquiatria de Yale analisaram 444 pessoas, com idades entre 19 e 50 anos, que forneceram amostras de sangue usadas para avaliar as mudanças químicas relacionadas à idade, capturadas pelo GrimAge, bem como outros marcadores de saúde. Os participantes também responderam a um questionário para que os cientistas pudessem analisar os níveis de estresse e resiliência psicológica. “Mesmo depois de levar em conta fatores demográficos e comportamentais, como tabagismo, índice de massa corporal, raça e renda, descobriram que aqueles que pontuaram alto em medidas relacionadas ao estresse crônico exibiram marcadores de envelhecimento acelerado e mudanças fisiológicas, como aumento da resistência à insulina”, detalha o geneticista.

O estresse, porém, não afetou a saúde de todos da mesma forma. Os indivíduos com pontuação alta em duas medidas de resiliência psicológica – regulação da emoção e autocontrole – foram mais resistentes aos efeitos do estresse no envelhecimento e à insulina, respectivamente. “Esses resultados apoiam a noção popular de que o estresse faz envelhecer mais rápido, mas também sugerem uma maneira promissora de minimizar essas consequências adversas do estresse por meio do fortalecimento da regulação emocional e do autocontrole”, explica Sady.

Em outras palavras, quanto mais resiliente psicologicamente, maior a probabilidade de alguém viver uma vida mais longa e saudável, com qualidade. “O estudo reforça a ideia de que devemos buscar meios de modular o estresse, fazer um investimento em nossa saúde psicológica, a fim de melhorar a longevidade”, finaliza o geneticista.

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