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Ministério da Saúde lança novo protocolo para tratamento de HIV

Documento é atualizado após hiato de seis anos e visa facilitar continuidade da terapia e viabilizar metas de controle da epidemia

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 set 2023, 12h32 • Atualizado em 22 set 2023, 09h27
  • SALVADOR – Um novo protocolo de tratamento da infecção pelo HIV foi anunciado no Congresso Brasileiro de Infectologia. A atualização das diretrizes do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde introduz uma nova formulação que combina princípios ativos para favorecer o seguimento da terapia e traz orientações para aprimorar o controle da infecção e das doenças oportunistas mais prevalentes em pacientes. O objetivo é reforçar e viabilizar o alcance das metas do Unaids, o braço da ONU dedicado ao combate à epidemia.

    A última edição do documento foi publicada em 2017 e, agora, sob nova gestão, um comitê de experts reunidos pelo governo federal revisou as evidências científicas a fim de consolidar novas propostas para o tratamento, tendo em vista uma melhor adesão, a redução do número de pacientes que deixam de receber as medicações e o enfrentamento de doenças oportunistas, como a tuberculose.

    “A atualização do protocolo se insere em um contexto de retomada da promoção aos direitos humanos, combate ao preconceito e políticas de inclusão social, já que sabemos que determinantes sociais influenciam o controle da epidemia”, diz o infectologista Ronaldo Hallal, coordenador da iniciativa junto ao Ministério da Saúde.

    Esse trabalho se resume a três eixos: o aprimoramento do tratamento antirretroviral, a contenção de infecções oportunistas como tuberculose e hepatites virais e a abordagem das doenças não transmissíveis mais comuns com o envelhecimento das pessoas com HIV, caso de diabetes e hipertensão – este terceiro eixo será apresentado em 2024.

    No tratamento da infecção em si, a principal mudança é a introdução de um medicamento que reúne dois princípios ativos (lamivudina e dolutegravir) em um comprimido só. “Isso simplifica o esquema terapêutico, favorece o cuidado contínuo ao longo da vida e ajuda a manter a carga viral sob controle”, afirma Hallal.

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    A ideia é que o combo (coformulação) seja dispensado pelo SUS, exemplo de uma tendência que marca o fim do coquetel anti-HIV. “No passado era comum pacientes tomarem dez comprimidos por dia. Hoje temos pacientes que usam dois comprimidos”, expõe o médico.

    O protocolo também prevê medidas diante de casos de resistência viral, um fenômeno que, segundo Hallal, felizmente vem caindo com as novas medicações e esquemas de uso. O especialista lembra que o governo oferece, além do acompanhamento com testes de carga viral e de resposta imune, o exame de genotipagem que permite apurar a presença de HIV resistente a algumas drogas.

    Outra preocupação na mira dos médicos é a perda de seguimento no tratamento de um maior número de pacientes após a pandemia – estima-se em 10% dos indivíduos em terapia antirretroviral. Isso ocorre sobretudo em grupos de maior vulnerabilidade social, que enfrentam mais barreiras de acesso à assistência. O Ministério visa, com uma série de ações, reverter esse índice.

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    Em busca das metas de controle

    O Unaids tem a ambição de eliminar a pandemia de aids até 2030. Para isso, nutre o objetivo de diagnosticar 95% da população que vive com o vírus, tratar 95% dos diagnosticados e suprimir a carga viral de 95% do público tratado. Hoje se calcula que, no Brasil, 750 mil cidadãos estejam em tratamento antirretroviral.

    A atualização do protocolo terapêutico para adultos e outras movimentações do governo buscam intensificar a capacidade de cumprir as metas globais. De acordo com Hallal, no Brasil só o último objetivo tem sido atingido no momento. “Atualmente, a taxa de diagnóstico está em 90% e o número de pacientes diagnosticados tratados em 82%”, conta o infectologista.

    Os dados reforçam a necessidade de elevar a testagem para HIV e ampliar o alcance do acompanhamento e do tratamento médico. “Essa abordagem possibilita não só melhorar a qualidade de vida e diminuir a mortalidade entre os pacientes, mas também zerar a carga viral deles, contribuindo para evitar a transmissão do vírus”, explica o infectologista.

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    O especialista também compartilhou, no Congresso Brasileiro de Infectologia, em Salvador, que as políticas para PEP (Profilaxia Pós-Exposição) e PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) estão em processo de atualização e consolidação, a fim de se pavimentar um maior acesso a essas estratégias, sobretudo nos grupos de maior suscetibilidade à infecção, como homens que fazem sexo com outros homens, travestis, pessoas trans e profissionais do sexo.  

    A PEP se refere à administração de drogas para deter o vírus após uma eventual ou acidental contaminação (o que abrange profissionais de saúde). A PrEP consiste na utilização de medicamentos para impedir o contágio. Hoje ela pode ser empregada por indivíduos com mais de 18 anos, mas o Ministério estuda a liberação a adolescentes acima de 15 anos, ciente de que eles também podem estar em risco com o início da vida sexual.

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