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“Suspensões na Europa não mudam a vacinação no Brasil”, diz Fiocruz

Imunizante da AstraZeneca foi alvo de restrições em diversos países do bloco; decisões, porém, estão em desacordo com o que diz a agência de saúde local

Por Mariana Rosário Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 mar 2021, 17h16 • Atualizado em 25 mar 2021, 22h35
  • A restrição de diversos países da Europa ao uso da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca não deve afetar o trabalho na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O centro de referência em imunizantes brasileiro prepara-se para entregar esta semana a primeira leva de doses finalizadas na instituição, 1 milhão e 80.000 doses serão encaminhadas ao Ministério da Saúde. A previsão é que 500.000 aplicações sejam entregues amanhã, quarta-feira, 17. E outras 580.000, na sexta-feira, 19.

    Nos últimos dias, uma série de países europeus fixaram restrições temporárias à mesma vacina. Mais recentemente, Portugal e Holanda juntaram-se ao grupo que inclui França, Alemanha, Itália, Noruega, Dinamarca e Islândia, onde ocorreram pausas na aplicação do medicamento. As suspensões, dizem as agências de saúde, estão ligadas a relatos de aparecimento de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas sobretudo na Noruega. Os países afirmam tratar-se de uma medida de “precaução”.

    O vice-presidente da Fiocruz, Marco Krieger, afirmou à reportagem de VEJA que “as suspensões na Europa não mudam a vacinação no Brasil”. “Para que isso ocorra é preciso que exista maior robustez científica relacionando problemas de saúde e a vacinação. O que ainda não existe. Estamos totalmente atentos a qualquer sinal de atenção, mas, por enquanto, não existe indicativo de que a vacina esteja causando essas ocorrências”, afirmou. Krieger ressaltou que o número de casos envolvendo complicações por coagulação sanguínea no grupo de vacinados está dentro do esperado para população em geral.  Ou seja, não há indicativo que a aplicação da vacina tenha mudado o quadro de saúde dessas pessoas. Por outro lado, a vacina confere imunização ao vírus da Covid-19, este sim, comprovadamente nocivo.

    LEIA TAMBÉM: O estado emocional afeta a eficácia da vacina contra a Covid-19?

    A posição do especialista está baseada em comunicados da agência reguladora de medicamentos da União Europeia (EMA). Esse posicionamento do EMA foi ratificado em dois pronunciamentos públicos, o mais recente deles, hoje, veio por uma fala em vídeo da diretora-executiva da agência, Emer Cooke. “Os benefícios superam os riscos”, disse.

    A AstraZeneca também afirmou que foi realizada uma revisão de todos os dados de segurança disponíveis, que contam com mais de 17 milhões de pessoas vacinadas na União Europeia (UE) e no Reino Unido. “A análise não mostrou evidências de um risco aumentado de embolia pulmonar, trombose venosa profunda ou trombocitopenia em qualquer faixa etária, sexo, lote ou em qualquer país em particular”, diz o comunicado.

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    No Brasil, de acordo com Krieger, por volta de 3 milhões de pessoas receberam doses do imunizante, sem notícias de ocorrências do tipo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou, por meio de nota, que “está acompanhando e buscando informações junto às autoridades internacionais sobre possíveis eventos adversos relacionados ao uso da vacina de Oxford”.

    Os desafios da vacinação

    A vacina AstraZeneca/Oxford é peça fundamental do Programa Nacional de Imunizações brasileiro. São esperadas por volta de 222 milhões de doses dessa vacina ao longo de todo o ano de 2021. Metade deverá ser produzida totalmente na Fiocruz e entregue ao longo do segundo semestre. Além dessas, o Ministério da Saúde fechou parceria com uma série de outras farmacêuticas de países como Estados Unidos, China, Índia e Rússia para a disponibilização de antígenos.

    A falta de doses disponíveis, diga-se, é o principal gargalo para a atual campanha de vacinação contra Covid-19 iniciada em janeiro. Uma vez chegadas as doses prometidas, os desafios serão de ordem logística e de conter o avanço da doença, com medidas de restrição às aglomerações.

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    Outro desafio que se desenha adiante é a campanha de imunização contra o vírus Influenza, que vacina por volta de 80 milhões de brasileiros ao longo de três meses. A campanha por si só já impõe certa pressão no sistema de saúde, será preciso absorvê-la e ainda incluir a demanda de vacinação para a Covid-19. Isso requer transporte adequado, treinamento de profissionais de saúde e rígido acompanhamento de diretrizes básicas para o bom funcionamento das vacinas, como: respeitar tempo correto de pausa entre as doses, refrigeração adequada e garantia de que a primeira e a segunda aplicações foram ministradas com fármacos do mesmo fabricante.

    O Brasil já conta com doses compradas suficientes para imunizar cerca de 70% da população, algo que consumiria um valor próximo de 300 milhões de doses, considerando os imunizantes de duas aplicações. A vacinação de todos esses grupos, seguindo um ritmo bem acelerado — como o dos Estados Unidos — porém, teria conclusão somente no fim do ano.

    Os números da vacinação contra a Covid-19 no Brasil

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