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Por que o vírus Nipah da Índia não é uma nova covid

OMS emitiu parecer classificando o risco de disseminação global como baixo. Transmissão do patógeno é diferente da do coronavírus da pandemia

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jan 2026, 08h32 • Atualizado em 30 jan 2026, 08h36
  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou uma nota considerando baixa a possibilidade de o vírus Nipah, com dois casos confirmados na Índia, tornar-se uma emergência de proporções continentais e globais. A entidade ressalta o trabalho efetivo de identificação e contenção das autoridades sanitárias indianas e reforça a necessidade de vigilância contínua.

    Segundo o governo do populoso país asiático, as duas vítimas do vírus são profissionais de saúde: um deles está em fase de recuperação, o outro em estado grave. A preocupação gira em torno da letalidade do microrganismo: até 70% dos infectados pelo Nipah podem morrer.

    O Ministério da Saúde indiano afirmou ter testado mais de 190 pessoas que orbitavam os dois pacientes com a doença. Nenhum apresentava sinais do patógeno.

    A OMS avalia como “baixa” a perspectiva de disseminação do Nipah para outros estados da Índia ou países da Ásia. Em relação à região de Bengala Ocidental, onde foram identificados os episódios da infecção, o risco é “moderado” devido à presença de reservatórios naturais do vírus, morcegos que se alimentam de frutas e podem ter contato com pessoas ou contaminar alimentos.

    Diferenças para a covid

    Embora o alerta de pandemia tenha soado, especialistas e a própria OMS consideram remotas as chances de o vírus Nipah deflagrar uma crise sanitária internacional, como foi a covid-19.

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    Isso tem a ver primordialmente com as características dos patógenos e de sua transmissão. O coronavírus responsável pela emergência global a partir de 2020 era facilmente transmitido de pessoa para pessoa por meio de tosse, espirro e gotículas suspensas no ar. Não é o caso do Nipah.

    “A infecção pelo Nipah requer contato mais íntimo e prolongado, relacionado aos fluidos corporais, ou por meio de frutas contaminadas pelos morcegos asiáticos”, disse a VEJA SAÚDE o infectologista Fernando Dias e Sanches, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudioso do patógeno.

    O vírus que reapareceu na Índia tem também outro fator limitador. Ao contrário da covid, sua alta letalidade muitas vezes impede a disseminação de uma vítima a outra.

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    O Sars-CoV-2, vírus da pandemia, também pode resultar em quadros graves e potencialmente fatais. Contudo, a taxa de letalidade global beira 1%. No caso do Nipah, gira de 40 a 70% – uma diferença brutal.

    Apesar do cenário, os experts não consideram nulo o risco de esse ou novos surtos se agravarem futuramente. Vírus podem sofrer mutações que os tornam mais aptos a se espalharem. É assim que zoonoses se tornam epidemias.

    “A maior preocupação não está apenas nos vírus raros e altamente letais, nem exclusivamente nos vírus comuns e muito transmissíveis, como gripe e covid, mas no equilíbrio entre letalidade, capacidade de disseminação e disponibilidade de contramedidas”, analisa a infectologista e patologista Carolina Lázari, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial.

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