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Reposição de testosterona só é indicada no caso de dois sintomas, diz especialista

Alexandre Hohl tira dúvidas sobre efeitos, sintomas e reações adversas associadas à falta e ao excesso do hormônio

Por Luiz Paulo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 7 mar 2025, 16h04 - Publicado em 7 mar 2025, 16h00

A testosterona é um hormônio que está sempre em voga. Descoberto quimicamente em 1935, ele já foi utilizada extensivamente, primeiro como uma infindável fonte de juventude, depois como receita secreta para fazer saltar os músculos e, agora, circula entre homens e mulheres, especialmente acima dos 40 anos, como um elixir de energia, libido e bem estar. Mas será que há mesmo benefícios da reposição indiscriminada desse hormônio?

O médico Alexandre Hohl é um dos melhores nomes para responder a essa questão. Professor adjunto de endocrinologia e metabologia da Universidade Federal de Santa Catarina, vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, ele é autor do Testosterona: Dos Aspectos Básicos aos Clínicos (ed. DI Livros), um dos principais tratados sobre o tema. 

Em entrevista a VEJA, falou sobre as funções do hormônio, as indicações e os perigos do uso indiscriminado para a saúde a curto e longo prazo. 

Qual a função da testosterona no corpo? A testosterona é um hormônio caracterizado como androgênio, ou seja, ele é um esteroide sexual produzido em alta quantidade nos seres humanos do sexo masculino. Essa testosterona aumenta de maneira significativa na puberdade e é responsável pelo aparecimento dos caracteres sexuais masculinos. Esse hormônio sobe na adolescência e fica alto durante toda a vida do homem, mas lá pelos 50 anos de idade começa uma diminuição lenta e progressiva que não é caracterizada como doença. 

Todo homem precisa fazer exame de testosterona? Dosagem de testosterona não é exame de check-up. Nós não tratamos exames laboratoriais, nós tratamos seres humanos. Essa é uma coisa que começou a cair na moda. Você vai ao médico e se queixa de cansaço, por exemplo, e a primeira suspeita é a de testosterona baixa. Quando a gente pega os homens com hipogonadismo, muitos vão ter cansaço, aumento de peso, aumento de circunferência abdominal, alteração de sono, alteração do humor, mas todos esses sintomas não são específicos do hipogonadismo. Para indicar reposição de testosterona, tem que ter disfunção erétil e queda de libido. Os outros sintomas podem ter diversas outras causas e a queda de testosterona provavelmente não será a principal delas. 

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Homens na andropausa precisam de reposição? Na puberdade, a mulher tem um aumento de estrogênio, que é o hormônio responsável pelas características sexuais femininas. Na menopausa, esse hormônio tem uma queda abrupta de produção. Mulher tem menopausa, homem não tem andropausa. Nas mulheres a reposição hormonal pode ter um benefício por causa dessa queda abrupta. No homem a queda lenta e gradual é normal e apenas uma pequena porcentagem tem um quadro abrupto que pode indicar a necessidade de reposição. 

Em que grupos a reposição de testosterona é necessária? Esse é o ponto-chave. Via de regra, apenas dois sintomas indicam que a queda de testosterona precisa ser investigada: disfunção erétil e perda de libido. É quando começamos a falar em hipogonadismo. 

Mas em que condições isso ocorre? Existem doenças em qualquer idade que podem fazer com que homens não produzam testosterona direito. Pessoas com algumas doenças genéticas, como a síndrome de klinefelter, podem precisar de testosterona, assim como pessoas com doenças na hipófise – uma glândula no cérebro que comanda a produção de testosterona – ou com condições como câncer ou torção testicular. Alguns medicamentos, como corticosteróides, também podem interferir na produção de testosterona. 

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O que é o hipogonadismo funcional? É quando a pessoa tem um hipogonadismo causado por uma situação transitória. Um exemplo é a obesidade, que pode levar a uma queda drástica da testosterona. Temos um grupo de homens que fizeram cirurgia bariátrica, por exemplo. Em todos eles a testosterona era baixa, mas após a intervenção, o hormônio aumentou em 70%. Quando as condições são tratadas o hipogonadismo desaparece, mas nesses casos é possível tratar com medicamentos que estimulam a produção de testosterona. 

TESTOSTERONA - Dos Aspectos Básicos aos Clínicos: tratado sobre o assunto
TESTOSTERONA – Dos Aspectos Básicos aos Clínicos: tratado sobre o assunto (Springer/Reprodução)

Qual o problema de tomar testosterona indiscriminadamente? Isso virou um problema de saúde pública. Qualquer coisa na dose errada deixa de ser remédio e vira veneno. No começo a impressão é a de que está fazendo bem, mas os efeitos adversos do uso abusivo aparecem de maneira avassaladora. Quando as pessoas usam em alta quantidade em busca do efeito anabolizante, os riscos são ainda maiores. 

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E quais são esses efeitos colaterais? O cara que está com a testosterona baixa, com o chamado hipogonadismo, não tem efeitos colaterais da reposição. É simples assim. Ele está com o hormônio em falta e quando repõe, fica tudo bem. Já o que tem a testosterona normal e toma para ficar com níveis elevados pode ter acne, aumento da oleosidade da pele, e, com o tempo, dores em articulações, alterações hepáticas e alterações cardíacas. Um estudo publicado no periódico científico JAMA mostra que o usuário de anabolizante tem risco de morte três vezes maior do que quem não usa. 

E no caso das mulheres? Mulheres produzem pouca testosterona e, na menopausa, essa testosterona cai um pouco, o que é normal. Quase nenhuma mulher precisa repor testosterona. A única exceção é o distúrbio do desejo sexual hipoativo, quando ela tem uma queda abrupta da libido após a menopausa. Em caso de uso desnecessário, além dos efeitos vistos nos homens, elas também vão ter engrossamento da voz, aumento do clitóris, alteração da mama e alteração de fertilidade. 

Que profissional procurar em caso de baixa libido e disfunção sexual? Das  especialidades médicas, as que lidam com isso são a urologia, a endocrinologia e a metabologia. Um clínico geral pode ver isso? Claro que pode. Um geriatra pode ver isso? Claro que pode. Uma ginecologista que encontra uma mulher com queixas? Também pode. O importante é que esse médico tenha a capacidade de fazer o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento. 

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Suplementos para aumento de testosterona funcionam? Suplementos do tipo maca peruana e Tríbulus terrestris são fitoterápicos extremamente estudados. O efeito deles é aumentar a testosterona na faixa de 40%, que é mais ou menos o mesmo efeito do placebo, que aumenta em 30%. Se alguém disser que funciona, não está mentindo, mas é um efeito muito pequeno, parecido com placebo. Mas existem testes de segurança? Não. E aí alguém pode dizer: ah, mas planta não tem problema. Mentira! Já existem diversos estudos mostrando lesões hepáticas causadas pelo consumo de plantas, especialmente em mulheres consumindo fitoterápicos para emagrecer. O uso não é isento de riscos. 

E como deve ser feito no caso de pessoas trans? Quem vai tomar testosterona são os homens trans. Uma coisa que é importante ser falada nesse caso é que não tem que simplificar algo que precisa de acompanhamento médico. É desrespeitoso dizer que pessoas trans não precisam de médico só pelo fato de que a transsexualidade não é uma doença. O médico é a pessoa melhor habilitada para auxiliar na transição do ponto de vista hormonal. A endocrinologia é a melhor especialidade para isso. É algo importante porque existem situações em que o hormônio, seja masculino ou feminino, é contraindicado, porque o risco de morte é muito maior do que qualquer benefício. Então, um dos motivos para esse homem trans ir ao médico é saber se tem alguma contraindicação. Não havendo contraindicação, vai se escolher o melhor caminho, com medicações injetáveis ou com gel de testosterona, que são as formulações disponíveis no mercado brasileiro.

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