Silencioso, câncer de pâncreas é considerado raro e desafiador; entenda
Oncologista do Einstein alerta para sintomas como dor abdominal e perda de peso; guitarrista do Titãs, Tony Bellotto anunciou diagnóstico e vai fazer cirurgia

Tumor considerado raro e desafiador para os médicos, o câncer de pâncreas costuma ser silencioso e, caso o paciente não tenha o hábito de fazer exames de rotina, pode ser detectado apenas em quadros mais avançados. Foi em uma dessas avaliações que o guitarrista dos Titãs Tony Bellotto recebeu o diagnóstico, anunciado nesta segunda-feira, 3, nas redes sociais. A detecção precoce é fundamental para atacar o tumor, que não leva a sintomas em fases iniciais.
No Brasil, são estimados 10.980 novos casos por ano, a maioria em mulheres, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). “O tumor mais comum que acontece no pâncreas é o adenocarcinoma, que vem das glândulas exócrinas do pâncreas, e tem uma incidência relativamente baixa e pode ser considerado raro”, explica Pedro Uson, médico oncologista do Programa de Medicina de Precisão e Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein. “É um tumor bastante desafiador, porque, geralmente, é silencioso e diagnosticado com exames de rotina ou com o paciente já sintomático da doença mais avançada.”
Estima-se que até 15% dos casos tenham relação com fatores genéticos, como mutações genes BRCA1, BRCA2 e PALB2 e síndromes com associações a tumores no órgão, como as síndromes de Peutz-Jeghers e de pancreatite hereditária.
Mas também tem relação com hábitos presentes na rotina dos indivíduos. “As principais causas incluem cigarro e álcool, também dieta pobre em verduras, legumes e frutas, e rica em carne vermelha.”
Sinais de alerta
As pessoas precisam ficar atentas para sinais de alerta para a doença, como dor abdominal, olhos amarelos, urina escura, fezes claras e perda de peso significativa. “Quando isso acontece, o paciente procura atendimento médico e, com exames de imagem, diagnostica a doença no pâncreas. Não raramente já apresenta metástases no fígado e em outros locais. Por isso que é importante sempre ficar atento a dor abdominal e perda de peso.”
Outro sintoma importante, de acordo com o oncologista, é diabetes de início recente. “Ela mostra que o pâncreas pode estar doente. Não que todo caso de diabetes pode ser câncer de pâncreas, mas diabetes aguda pode ser um sintoma também.”
Segundo Uson, quando o tumor é encontrado localizado, sem ter se espalhado por outros pontos do órgão, a cirurgia é realizada com objetivo de controlar a doença e curar o paciente.
Bellotto anunciou que vai ser submetido a uma cirurgia e que ficará longe dos palcos temporariamente.
Se não for possível operar o paciente em função do tamanho do tumor, é possível iniciar o tratamento com radioterapia para reduzi-lo e realizar a cirurgia. Em casos de detecção da doença já em estado avançado e com metástase, o tratamento é feito com quimioterapia.
“É importante saber se o paciente tem risco genéticos, porque tem remédios direcionados para quem tem alterações genômicas”, completa o oncologista.