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Transplante capilar: entenda quadro que leva à queda de cabelo após procedimento

Alopecia cicatricial pós-transplante causa destruição dos folículos capilares e perda dos fios; investigação sobre doenças prévias reduz riscos

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 mar 2026, 10h00 •
  • Com o aprimoramento das técnicas de transplante capilar, o número de procedimentos tem saltado ano após ano, conquistando populações cada vez mais jovens. O censo da Sociedade Internacional de Cirurgia de Restauração Capilar (ISHRS, na sigla em inglês) divulgado em 2025 mostra que, no ano anterior, cada um dos quase 1 000 membros da entidade realizou uma média de 178 procedimentos por ano — um aumento de 20% em relação a 2021 —. Dos transplantes capilares, 95% foram em pacientes de 20 a 35 anos. Os resultados do método impressionam e devolvem a autoestima de pacientes, mas especialistas têm alertado para a importância de consultas aprofundadas para verificação de condições prévias com o objetivo de evitar um evento raro que pode levar à queda dos novos fios: a alopecia cicatricial pós-transplante.

    A principal característica deste problema é a destruição dos folículos capilares na região que recebeu o transplante ou ao redor dela. Com esse processo, o cabelo acaba caindo. E isso pode ser permanente se o tecido normal do couro cabeludo se transformar no que é conhecido como “tecido cicatricial”, que é incapaz de produzir novos fios.

    “O organismo, ao tentar reparar o tecido, forma uma fibrose, uma cicatriz, que faz com que o fio não cresça mais”, explica a médica tricologista Luciana Passoni, da Passoni Clinic.

    A condição pode ser causada por doenças autoimunes, infecções bacterianas, cicatrização inadequada, inflamações no couro cabeludo e traumas cirúrgicos, por exemplo.

    “Em alguns casos, o próprio processo de cicatrização do organismo pode ser exagerado, formando fibrose ao redor dos folículos”, completa o tricologista João Gabriel Fernandes. “Ainda existe a possibilidade de ser algo pré-existente. Muitas das vezes, sem o conhecimento prévio do paciente e por falta de manifestação clínica prévia, é de difícil detecção na consulta de avaliação.”

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    Alguns sinais podem indicar que a intercorrência está em andamento, como alterações na pele do couro cabeludo, que passa a ter áreas brilhantes, lisas ou endurecidas, vermelhidão e secreções, além da falha dos fios. Os pacientes podem sentir coceira, ardência e dor local.

    Falhas no transplante

    Não necessariamente a alopecia cicatricial pós-transplante tem relação com procedimentos realizados de forma inadequada, embora seja um fato que os riscos de complicações e falhas aumentam quando os requisitos de segurança e as técnicas corretas não são aplicados.

    Por esse motivo, é fundamental buscar profissionais habilitados e experientes, pois eles podem fazer investigações para diminuir os riscos e iniciar um protocolo para mitigar possíveis danos ao notar que algo está saindo do controle.

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    “Não é possível eliminar totalmente o risco, mas é possível reduzi-lo bastante com uma boa avaliação pré-operatória. Isso inclui investigar doenças inflamatórias do couro cabeludo, controlar infecções e escolher técnicas cirúrgicas adequadas”, diz o tricologista.

    No pós-operatório, vale seguir todas as recomendações médicas relacionadas com a higiene do local, cuidado com lesões e administração correta dos remédios prescritos. Também é importante procurar o médico que fez o procedimento ao notar alterações no couro cabeludo e sinais de inflamação ou infecção.

    “É uma intercorrência que tem uma progressão muito rápida e agressiva. Por este motivo, as pessoas devem ter atenção e cuidado após realizarem o transplante capilar”, afirma Passoni.

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    Tratamento para alopecia cicatricial

    O tratamento para a alopecia cicatricial pós-transplante vai ser definido depois da determinação da possível causa do problema. Os médicos podem indicar antibióticos para quadro infecciosos, anti-inflamatórios e imunossupressores.

    Assim, a abordagem será individualizada e com o foco em evitar o alastramento das áreas afetadas pela formação de tecido fibroso e, consequentemente, queda dos fios. Dependendo do caso e apenas após o controle da situação, é possível avaliar a possibilidade de refazer o transplante capilar.

    “Quando a condição está controlada e o couro cabeludo apresenta cicatriz estável, o transplante pode ser considerado para repovoar a área. Mesmo assim, a indicação precisa ser cuidadosamente avaliada, porque a vascularização e a qualidade da pele cicatricial podem limitar os resultados”, finaliza Fernandes.

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