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Vacina da dengue do Butantan protege contra o sorotipo do vírus em alta

É o que afirma o instituto paulista após testes adicionais com imunizante bem-sucedido nos estudos clínicos e à espera de aval regulatório

Por Fernanda Bassette/ Agência Fapesp
Atualizado em 24 jan 2025, 06h47 - Publicado em 24 jan 2025, 06h45

Agência FAPESP – O Estado de São Paulo se prepara para enfrentar mais um surto de dengue: o Instituto Butantan já iniciou a produção do primeiro lote da vacina tetravalente, com 1 milhão de doses, enquanto o governo estadual anunciou ontem (23/01) a criação de um Centro de Operação de Emergência e o repasse de R$ 228 milhões para apoiar os munícipios paulistas no combate às arboviroses, entre elas a dengue.

Uma das preocupações é o ressurgimento do sorotipo 3 da dengue no Brasil após 17 anos sem circulação, o que pode levar a novos surtos da doença, já que a população não está imunizada contra essa linhagem específica. Os sorotipos 1 e 2 continuam em circulação no país (leia mais em: agencia.fapesp.br/53754).

“Começamos a fabricar os insumos [os chamados IFAS, ou ingredientes farmacêuticos ativos] de cada um dos quatro sorotipos do vírus. A produção é contínua, porque são quatro IFAS para compor o produto. Faz sentido adiantarmos essas etapas para, assim que obtivermos o registro, já termos doses rapidamente disponíveis para a população”, diz à Agência FAPESP Gustavo Mendes, diretor de Assuntos Regulatórios, Qualidade e Ensaios Clínicos do Butantan.

O pedido de registro do imunizante foi feito à Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro e a equipe do Instituto Butantan está otimista com a possibilidade de aprovação. A expectativa é que haja uma manifestação da agência reguladora até meados de março.

Os resultados do ensaio clínico da Butantan-DV, publicados no New England Journal of Medicine no ano passado, demonstraram uma eficácia geral da vacina de 79,6% ao longo de dois anos de acompanhamento: 89,5% para DENV-1 e 69,6% para DENV-2. Apesar de ter sido desenvolvida para proteger contra todos os sorotipos, os pesquisadores não puderam avaliar a proteção contra o DENV-3 e o DENV-4 porque não foram detectados casos desses tipos no período do estudo (leia mais em: agencia.fapesp.br/50763).

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De acordo com Mendes, a equipe envolvida no ensaio clínico fez uma série de testes in vitro e comparações entre os diferentes subtipos virais para extrapolar os dados de eficácia alcançados com os tipos 1 e 2 do vírus para os tipos 3 e 4 na apresentação dos resultados.

“A extrapolação é baseada na comparabilidade do tipo do vírus. Isso é um dado que é aceito na comunidade científica e pelas agências reguladoras. Já discutimos essas informações com a Anvisa previamente. Por enquanto, ainda não tivemos a formalização de um pedido da agência para um estudo específico [de fase 4] para analisar esses dois sorotipos, mas o acompanhamento pós-vacinação faz parte dos requisitos regulatórios no Brasil”, explica.

O monitoramento constante após a aprovação de uma vacina é parte obrigatória da farmacovigilância, que tem como objetivo verificar eventuais reações adversas não previstas, que podem acontecer quando a vacinação ocorre em larga escala, e investigar possíveis casos de ineficácia do imunizante. Mas ainda não está prevista a realização de um estudo de fase 4, com perguntas específicas para os sorotipos 3 e 4.

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Mendes disse que o Butantan já tem uma equipe estruturada para investigar esses casos, se eles acontecerem. Mas reafirma o argumento técnico e científico de que é possível extrapolar os resultados de eficácia da vacina para os sorotipos 3 e 4 da dengue, mesmo que as pessoas não tenham sido infectadas por eles no desenvolvimento do ensaio clínico.

Aprovada pela Anvisa, o Butantan deverá enviar uma solicitação de autorização de preço à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Após essa avaliação, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) vai estudar a possível incorporação da vacina ao SUS.

Etapas de produção

Se aprovada, a Butantan-DV será a primeira vacina do mundo em dose única contra a dengue. O instituto tem planos de fabricar em torno de 1 milhão de doses de vacinas ainda em 2025, prevendo o grande potencial de aquisição pelo Ministério da Saúde e sua incorporação no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Outros 100 milhões de doses devem ser fabricados até o fim de 2027. “Estamos discutindo as questões técnicas de produção há muito tempo com a Anvisa. Por isso, acreditamos que, se for feita alguma sugestão de melhoria por parte da agência reguladora, não será algo que impacte a técnica de produção”, aponta Mendes.

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Ele esclareceu ainda que a Anvisa não determina que a produção de um imunizante só possa começar depois do registro definitivo – isso fica a critério do próprio desenvolvedor, que assume o risco de perder essas doses. “Se produzo uma vacina agora e ela tem prazo de validade de um ano ou de 18 meses, por exemplo, esse prazo já está sendo consumido nesse período. Por isso estamos focando na produção dos insumos e não da formulação final.”

A produção da Butantan-DV acontece em etapas distintas: primeiro o instituto fabrica cada um dos tipos do vírus: 1, 2, 3 e 4 separadamente para somente depois juntá-los para fazer a formulação final da vacina.

Ontem em coletiva o governador Tarcísio de Freitas ressaltou que o imunizante só estará disponível em larga escala no próximo ano e, portanto, agora é importante focar no combate ao mosquito. “Nós temos o desafio de agora, com questões como o clima que favorece a proliferação dos vetores. O segundo problema é que muitas pessoas tiveram dengue no ano passado e a repetição favorece o desenvolvimento de uma dengue grave. Por fim, há um sorotipo diferente que está circulando. Com o que nós temos de ferramenta agora, devemos combater o vetor e nos estruturar. Cada um precisa fazer a sua parte: o cidadão, as prefeituras, já que a zeladoria terá muito efeito e o Estado de São Paulo, que dará todo o suporte.”

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Uma década e meia de estudos

O imunizante tetravalente contra a dengue começou a ser desenvolvido em 2010, com apoio da FAPESP, a partir de uma formulação criada por pesquisadores vinculados aos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), dos Estados Unidos. Os NIH foram responsáveis pela fase 1 do ensaio clínico (2010-2012), enquanto a fase 2 (2013-2015) foi realizada no Brasil. A fase 3, que começou em 2016, também foi conduzida no país e seguiu até o ano passado, quando todos os 16.235 voluntários completaram cinco anos de acompanhamento.

Os resultados atestaram a segurança da vacina para indivíduos de 2 a 59 anos, independentemente do histórico de infecção prévia. Agora, o Butantan aguarda autorização da Anvisa para iniciar os estudos clínicos envolvendo a população com mais de 60 anos, faixa etária vulnerável ao desenvolvimento da doença. A expectativa é começar esse estudo nos próximos meses.

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