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Vírus Nipah: entenda quem é o patógeno letal que preocupa a Ásia e se há risco de pandemia

Casos confirmados na Índia acenderam alerta global; vírus vem de morcegos e pode causar graves problemas neurológicos

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jan 2026, 11h02 • Atualizado em 27 jan 2026, 11h49
  • Outro vírus que tem como hospedeiro natural uma espécie de morcego e já se encontra na lista de vigilância prioritária da Organização Mundial da Saúde (OMS) preocupa o planeta. É o vírus Nipah, um patógeno altamente letal que teria afetado ao menos cinco pessoas na Índia nos últimos dias. Países do continente asiático ampliaram suas medidas de segurança. E não é por menos. O Nipah é um perigo.

    Quem é o vírus?

    “O Nipah é um primo distante dos vírus do sarampo, da raiva e do vírus da cinomose que infecta os cães”, conta o virologista Paulo Eduardo Brandão, professor e pesquisador da USP. O microrganismo já foi encontrado em morcegos que comem frutas – seu principal reservatório na natureza -, porcos e, mais raramente, em seres humanos.

    Ele foi identificado pela primeira vez entre 1998 e 1999 em um surto na Malásia. “Era uma doença desconhecida e apareceu em Kampung Sungai Nipah, a Vila do Rio Nipah, daí o nome”, esclarece Brandão, que é colunista de VEJA SAÚDE.

    Na ocasião, a moléstia foi percebida após criadores detectarem problemas respiratórios em porcos. Mas, logo depois, pessoas pegaram o vírus. “Elas desenvolveram encefalite, uma inflamação do cérebro”, conta o professor.

    Foram, segundo as contas das autoridades na época, 265 casos confirmados de encefalite aguda e mais de 100 mortes. Sim, trata-se de um vírus altamente letal – de dez pessoas que contraem a doença, estima-se que entre quatro e sete podem morrer.

    Como ele se manifesta e quais os sintomas?

    A infectologista e patologista Carolina Lázari, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, explica que o Nipah é um vírus com atração pelo cérebro. “No início, a infecção apresenta febre, dor de cabeça, tontura e vômitos, mas em dias pode evoluir para uma encefalite aguda grave“, descreve. “Isso pode acarretar rebaixamento do nível de consciência e convulsões”.

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    O quadro requer atenção médica imediata, de preferência com cuidados intensivos. Lázari chama a atenção para outra característica assustadora do microrganismo. “Ele tem a capacidade de reaparecer em indivíduos que tiveram encefalite meses ou até anos depois da infecção inicial. Não são raras sequelas como déficits cognitivos e alterações psiquiátricas”, diz.

    Menos frequentes, alguns casos da infecção podem desencadear problemas respiratórios que já foram associados à maior mortalidade e trazem o risco de aumentar a transmissão do vírus por meio de secreções contaminadas.

    Como é transmitido?

    Morcegos do gênero Pteropus, que se alimentam de frutas, são os hospedeiros naturais e eliminam o vírus Nipah em suas fezes, urina e saliva. Ao ter contato direto com esses animais ou com alimentos contaminados por eles, uma pessoa pode pegar o patógeno e adoecer.

    “Em Bangladesh e na Índia, surtos estão ligados a um hábito cultural específico: o consumo da seiva fresca da tamareira. Durante a coleta noturna, a seiva fica exposta à contaminação por morcegos, perpetuando ciclos quase anuais da doença”, afirma Lázari.

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    Além disso, outros animais, como porcos, podem servir de hospedeiros intermediários. Daí o risco de o vírus circular em criadouros e fazendas.

    Há prevenção e tratamento?

    A principal forma de prevenir é evitar o contato com animais que podem carregar o vírus – o que se tornou um desafio extra devido ao desmatamento e o avanço das cidades entre os hábitats de morcegos e outras espécies silvestres.

    Diante da suspeita de uma infecção, também é fundamental manter distância das pessoas com sintomas. Por ora, não existe uma vacina aprovada para o vírus Nipah.

    O diagnóstico também pode ser desafiador. “Não há sinais específicos que diferenciam o quadro de outras encefalites virais”, explica Lázari. “A confirmação depende de um exame de PCR, disponível só em laboratórios de referência”, prossegue a infectologista e patologista clínica.

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    Em caso de confirmação, entram em cena o tratamento de suporte e, muitas vezes, a internação em UTI. “Por enquanto só existem antivirais experimentais. É preciso lançar mão de hidratação, oxigênio e remédios para controlar a inflamação”, diz Brandão.

    Há risco de pandemia?

    “Embora o vírus seja considerado prioritário pela OMS, ele não é visto como um potencial causador de pandemia“, diz Lázari.

    “O Nipah ainda não chegou a hospedeiros locais, como morcegos, fora de sua principal área de ocorrência”, afirma Brandão.

    O gênero de morcegos portadores do microrganismo não vive nas Américas.

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    “Também é um microrganismo que ainda não aprendeu a transmitir-se bem entre pessoas, como acontece com os vírus da gripe e da covid”, expõe o virologista.

    No entanto, a cautela e a vigilância epidemiológica são cruciais. Com a destruição do meio ambiente e a facilidade de circulação de pessoas (e vírus) pelo planeta, todo cuidado é pouco para uma zoonose não virar uma nova emergência de saúde pública.

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