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Complexo criado na era hippie será modelo de centros de ciências no Brasil

Fundado em 1969 e inspirado nos ideais hippies, uma das instituições mais populares dos EUA servirá de padrão para unidades em Brasília e em São Paulo

Por Daniel Hessel Teich, de São Francisco
29 nov 2019, 06h00 • Atualizado em 29 nov 2019, 15h04
  • O que mais chama a atenção no Exploratorium, museu interativo de ciências e artes em São Francisco, costa leste americana, é a desenvoltura com os visitantes de todas as idades se divertem em suas instalações. Ali, em uma construção centenária, instalada em antigo armazém, crianças, adolescente e adultos se esbaldam em meio a máquinas que simulam terremotos e tornados e brinquedos que seguem as leis da física, química e biologia.

    Fundado em San Francisco há 50 anos, exatamente quando o movimento hippie chegava ao auge na cidade, o museu incorporou parte do espírito da época em abordagens criativas e iconoclastas. Com isso tornou-se pioneiro na abordagem lúdica da divulgação científica. Atualmente , a instituição serve como um difusor de conceitos que permeiam a cultura de  inovação da região de São Francisco e arredores, no Vale do Silício, onde ficam as sedes nas maiores empresas de tecnologia do mundo com Google, Facebook e Apple.

    Em tempos que terraplanismo, o criacionismo e todo tipo de teoria pseudocientífica são levados a sério por muita gente, o museu californiano reforça o princípio de que  curiosidade humana e o desafio a conceitos pré-estabelecidos são os motores do desenvolvimento e da inovação. “Nossa proposta é ir além de tomar partido em polêmicas como a do aquecimento global.  O que queremos é fazer as pessoas se perguntarem como vão se posicionar frente a assuntos complexos“, explica Silva Raker, diretora de Negócios da instituição. “Queremos que nossos visitantes reflitam se, em situações problemáticas, estarão dispostas a compartilhar seus conhecimentos, colaborar para resolver as dificuldades ou se apenas competirão umas com as outras”.

    Foi Silva quem conduziu as negociações que trarão ao Brasil o modelo de exposições desenvolvido no Exploratorium para duas instituições — uma  em São Paulo e outra em Brasília. Em ambos os casos, os museus batizados como Steam Lab, serão construídos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL).

    A unidade paulista será instalada em um casarão tombado na Avenida Paulista, cedido pelo governo do estado. Em Brasilia, o local ainda não foi definido mas estão sendo avaliados imóveis na área da Esplanada dos Ministérios. A inauguração dos dois SteamLabs está prevista para 2022. O nome Steam vem da sigla em inglês para o conceito de ensino baseado na interligação de ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática.

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    A proposta dos idealizadores dos Steam Labs é reproduzir por aqui a abordagem arrojada do Exploratorium, um grande laboratório público de aprendizagem, em que o ambiente e os fenômenos naturais são explorados por meio de ótica da ciência, da arte e da percepção humana. 

    “Costumamos dizer que um mundo melhor é um mundo onde as pessoas não tem medo de fazer perguntas”, resume George Cogan, presidente do Exploratorium. “E é isso o pretendemos fazer aqui: estimular crianças, jovens e adultos a fazerem cada vez mais perguntas.” 

    Faça uma visita virtual ao Exploratorium.

     

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