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O Facebook quer seus nudes, mas por uma boa causa

A solução para a pornografia de vingança é dar uma identidade digital para todas as fotos que não devem estar em celulares alheios

Por André Lopes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 nov 2017, 15h33 • Atualizado em 13 nov 2017, 09h56
  • Usuários do Facebook na Austrália foram convidados a enviar imagens nuas de si mesmos em um experimento que busca amenizar o fluxo de pornografia não consentida. Conhecido como ‘mandar nudes’, o problema começa quase sempre da mesma forma: duas pessoas estão se relacionando, passam a trocar fotos nuas, terminam a relação e depois descobre-se que as imagens foram compartilhadas online. Outra modo é ter o telefone roubado ou hackeado. Porém, todos os casos têm em comum o mesmo fato: imagens explícitas são distribuídas sem o consentimento de quem está nelas. Para reverter é quase impossível. Mesmo que o conteúdo seja retirado da internet, é impossível saber quem o guardou e em qual momento ele poderá surgir novamente na rede.

    Mas como assim mandar nudes para o Facebook? Bom, é fato que as redes sociais são o principal canal de divulgação de pornografia de vingança. Empresas como Google e Facebook sabem disso. E também sabem que as políticas de privacidade e o controle de conteúdo sensível não conseguem impedir de forma significativa que as imagens não autorizadas sejam publicadas e compartilhadas. A novidade é que o Facebook fez uma parceria com o Comitê de Segurança Digital da Austrália para permitir que os habitantes do país possam enviar suas imagens de nudez sem correr riscos. Os usuários do aplicativo Mensseger que estiverem preocupados com a segurança de suas fotos, vão carregá-las em sistema que dará um registro digital para cada uma. Um número de série que as tornará únicas e rastreáveis caso alguém tente publicá-las nos aplicativos que pertencem ao Facebook. O projeto, que ainda é um piloto, também chegará para os usuários dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

    A divulgação de pornografia de vingança – nome dado à divulgação de fotos intimas sem consentimento – é um problema no mundo todo e mostra uma disparidade no gênero das vítimas. No Brasil, 81% dos casos atendidos pela ONG Safernet – referência no combate à violação de direitos humanos na internet – são mulheres. O novo projeto do Facebook não tenta impedir que a prática de trocar fotos aconteça, mas usa a tecnologia para bloquear as imagens na fonte, antes que elas possam ser espalhadas. Porém, a solução de Mark Zuckerberg não é a única. O aplicativo Nude, lançado por estudantes da Universidade da Califórnia, em outubro deste ano, funciona como um cofre de fotos. O app usa inteligência artificial para rastrear a memória do celular em busca de imagens de nudez e as guarda em um arquivo criptografado e protegido por um código PIN. Quando alguém tenta acessar o banco de imagens e erra a senha, acaba surpreendido por uma foto registrada pela câmera frontal que é enviada para o email do dono do smartphone.

    Apesar do nível de intromissão do Facebook ao requisitar fotos de seus usuários, isso não é uma prática nova. Google e Apple já vasculham as galerias do smartphones para treinar seus algoritmos de busca. Graças a isto é possível encontrar qualquer foto na memória do celular, basta digitar algumas palavras chaves na busca. Um exemplo seria uma foto na praia que ficou perdida. Usar os termos areia, mar ou chapéu pode ser o suficiente para encontrá-la. Isso porque um robô já deu ‘uma olhada’ no arquivo e o separou por temas. De toda forma, essa captura especifica de dados é bem-vinda para amenizar os abusos envolvidos neste tema. A rede social não irá guardar uma cópia da imagem, apenas o número de registro dela. A toda sorte, além de compartilhar fotos intimas com seus parceiros, você estaria preparado para confiar seus nudes ao Facebook?

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