SP abre financiamento para projetos de inovação tecnológica
Propostas transformadoras e com impacto socioambiental são mais valorizadas pelos organizadores

Uma boa oportunidade para micro, pequenas e médias empresas: a agência de fomento do governo paulista abriu chamado para o financiamento de projetos de tecnologia de base, ou seja, que gerem a produção de bens e serviços para a sociedade. A Desenvolve SP, entidade ligada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, pretende tirar do papel ideias que sejam disruptivas, de preferências com impactos socioambientais. “Isso tem total relação com a crise climática, como a produção de biocombustíveis, com a redução da pegada de carbono na indústria e na mobilidade urbana”, diz André Carlos Busanelli de Aquino, diretor de inovação da Secretaria de Ciência e Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo.
Outros temas também são bem-vindos, como computação quântica, inteligência artificial, nanotecnóloga e robótica. O maior critério dos organizadores para liberar o financiamento, no entanto, é o potencial transformador do projeto. O chamamento abarca a estratégia nacional de economia de impacto, que tem como um dos objetivos manter o aestado paulist na liderança de uma agenda de sustentabilidade. As inscrições vão até 11 de abril. A divulgação dos aprovados está prevista para 2 de maio. Em entrevista à Veja, Busanelli deu mais detalhes sobre o edital. Confira abaixo.
Esse chamado de inscrições visa contemplar projetos inovadores em tecnologia. Quantos serão contemplados? Não existe limite orçamentário. Trata-se de linha de financiamento; os recursos são reembolsáveis pelos empreendedores. Mas as taxas são bastante atrativas, entre as mais baixas possíveis. E não é necessário oferecer bens em garantia, os proponentes podem usar o fundo garantidor. Assim, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado pretende promover cada vez mais as atividades de Inovação em São Paulo. Serão contempladas todas as propostas de base tecnológica que tenham potencial transformador, incluindo impacto ambiental positivo. Na segunda fase da seleção, empreendedores terão apoio do Sebrae para aprimorar as propostas.
Pelo edital, são projetos com impacto socioambiental. Isso tem a ver com a crise climática? Será muito valorizado que as soluções das empresas tenham impacto positivo para a sociedade e o meio ambiente. Tal impacto será avaliado em cada projeto proposto. Isso tem total relação com a crise climática, como a produção de biocombustíveis, a redução da pegada de carbono na indústria e na mobilidade urbana, mas não só isso. Por exemplo, soluções que apoiem a biodiversidade, a produção de alimentos de forma sustentável, a economia circular e a redução de resíduos na indústria e consumo também merecerão nossa atenção especial.
Além do financiamento, haverá algum apoio para que as startups sejam aceleradas? Este não é um programa de aceleração. É um financiamento. As startups contempladas que façam parte de um dos ambientes do Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (Spai), política do Governo do Estado de São Paulo na área de Ciência e Tecnologia, terão o apoio. Está previsto, contudo, o apoio do Sebrae para o aprimoramento das propostas aprovadas na fase 1.
É um programa de incentivo ao empreendedorismo? Trata-se de financiamento. Não é um programa de apoio ao empreendedorismo, entretanto, a ação apoia indiretamente o empreendedorismo por destinar recursos a baixo custo, sem necessidade de oferecer próprio patrimônio como garantia para contratação. O apoio do Sebrae na segunda fase de seleção também transfere conhecimento aos empreendedores selecionados, ajudando a aprimorar propostas.
Qual a sua expectativa em relação ao edital? Identificar novos negócios disruptivos no Estado, atrair empreendedores para as oportunidades de investimento em Tecnologia que geram impacto positivo e conectar o ecossistema de inovação paulista com a rede de economia de impacto, mantendo o Estado de São Paulo na liderança nacional em relação à agenda de sustentabilidade.