Vício nas telas leva big techs ao banco dos réus
TikTok, Meta e YouTube respondem processo inédito na Califórnia pelos impactos negativos na saúde mental de jovens
Curtidas, comentários, compartilhamentos, salvamentos e tempo de tela são as engrenagens que movem a métrica de sucesso das redes sociais. O feitiço do engajamento, no entanto, começa a se voltar contra o feiticeiro. Pela primeira vez, grandes empresas de tecnologia vão a júri nos EUA para responder pela responsabilidade no estímulo ao uso viciante das plataformas e suas consequências negativas para a saúde mental de crianças e adolescentes. Nesta terça-feira, 17, teve início a seleção do júri, que vai compor um tribunal histórico, com TikTok, Meta e YouTube no banco dos réus.
As empresas serão julgadas nesta semana no Tribunal Superior da Califórnia, em Los Angeles. A ação foi movida por uma jovem de 20 anos, que afirma ter desenvolvido dependência das plataformas ainda na infância, em razão de recursos de design deliberadamente voltados à retenção da atenção. Segundo o processo, o uso intensivo dos aplicativos agravou quadros de depressão, gerou pensamentos suicidas e expôs a jovem a situações de bullying e extorsão. “É a primeira vez que big techs precisam se defender desse tipo de acusação no país”, afirmou Matthew Bergman, advogado da vítima, à agência Reuters.
O julgamento pode abrir precedente para uma série de ações semelhantes. O ex-presidente executivo da Meta, Mark Zuckerberg, deverá prestar depoimento. O YouTube argumenta que não deveria integrar o processo, alegando que seu modelo de adesão difere substancialmente de redes como Instagram e TikTok. O Snapchat também foi citado na ação, mas não irá a júri após firmar um acordo com a jovem. O montante da indenização não foi divulgado.






