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Bloqueio no Estreito de Ormuz ameaça safra global e pode disparar preço dos alimentos

Interrupção de fertilizantes do Golfo expõe fragilidade do sistema alimentar e eleva risco de escassez e instabilidade em países pobres

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 mar 2026, 15h00 | Atualizado em 31 mar 2026, 10h22
Bloqueio no Estreito de Ormuz ameaça safra global e pode disparar preço dos alimentos Priorizar nos meus resultados Google

A escalada da guerra no Oriente Médio começa a atingir um elo menos visível, e potencialmente mais explosivo, da economia global: o fornecimento de fertilizantes.

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O bloqueio de rotas no Estreito de Ormuz, após ataques envolvendo o Irã, já compromete o fluxo de insumos essenciais para a agricultura e acende um alerta sobre a próxima safra mundial.

Responsável por uma fatia relevante do comércio global de energia, a passagem marítima também é crucial para o transporte de ureia e amônia, base da fertilização nitrogenada que sustenta grande parte da produção agrícola intensiva.

Países do Golfo concentram quase metade das exportações globais de ureia e cerca de um terço da amônia.

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Com a interrupção logística, o impacto começa ainda no campo. Produtores no hemisfério norte, em pleno período crítico de aplicação de fertilizantes, já revisam decisões de plantio.

Nos Estados Unidos e na Europa, há sinais de migração de culturas como o milho, altamente dependente de nitrogênio, para alternativas como a soja, que exigem menos insumos químicos. Essa mudança tende a reduzir a produtividade antes mesmo do início da colheita.

O efeito se soma a um sistema alimentar global já pressionado. A guerra entre Rússia e Ucrânia continua afetando o comércio de grãos — os dois países respondem juntos por cerca de um quarto das exportações de trigo.

Em regiões dependentes de importações, como o norte da África e partes do Oriente Médio, o impacto acumulado aumenta a vulnerabilidade a choques adicionais.

Especialistas alertam que o risco segue uma linha do tempo clara. No curto prazo, de semanas, a falta de fertilizantes compromete o desenvolvimento das lavouras.

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Em alguns meses, a menor oferta agrícola pressiona os preços internacionais de alimentos. No horizonte de até um ano, altas mais intensas, acima de 30% ou 40%, historicamente estão associadas à instabilidade política em países frágeis.

A situação também expõe gargalos estruturais. Diferentemente do petróleo, não há estoques estratégicos globais relevantes de fertilizantes capazes de amortecer choques de oferta.

Além disso, o aumento do risco na região encarece seguros marítimos e afasta navios, dificultando a retomada rápida do fluxo comercial mesmo em caso de trégua militar.

Organismos internacionais, como o Programa Mundial de Alimentos, já enfrentam limitações para responder a uma eventual escalada da crise, em meio à redução de recursos e capacidade operacional.

Regiões como o Chifre da África, que já convivem com insegurança alimentar severa, estão entre as mais expostas.

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No plano diplomático, cresce a pressão para que eventuais negociações de cessar-fogo incluam garantias específicas para o transporte de grãos e fertilizantes, numa tentativa de evitar uma ruptura mais ampla na cadeia de abastecimento.

O episódio reforça como conflitos regionais têm efeitos sistêmicos sobre a economia global. Mais do que petróleo, o bloqueio em Ormuz atinge diretamente a base da produção de alimentos e pode transformar uma crise geopolítica em uma crise alimentar de alcance mundial.

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