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Compradores de soja esvaziam acordo antidesmatamento da Amazônia

WWF-Brasil alerta que decisão é retrocesso ambiental, climático e econômico para o país

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jan 2026, 21h40
Compradores de soja esvaziam acordo antidesmatamento da Amazônia Priorizar nos meus resultados Google

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que reúne algumas das maiores compradoras de soja do país, como Bunge e Cargill, formalizou sua saída da Moratória da Soja — acordo setorial que impede a aquisição do grão proveniente de áreas desmatadas na Amazônia. Há duas décadas, as empresas signatárias haviam se comprometido a não comprar soja cultivada em áreas desmatadas no bioma após julho de 2008. Embora o Código Florestal permita a supressão legal de até 20% da vegetação nativa, a adesão à moratória impõe uma restrição adicional, ao vedar a comercialização da commodity mesmo quando a produção ocorre em áreas legalmente desmatadas.

Para a WWF-Brasil, a decisão de abandonar o acordo representa um retrocesso grave e injustificável, tanto para o setor privado quanto para o país. Segundo a entidade, a saída das empresas enfraquece um dos instrumentos mais eficazes de combate ao desmatamento no Brasil e expõe o próprio agronegócio a riscos crescentes, ao comprometer a integridade das florestas das quais dependem a estabilidade climática e os regimes de chuva essenciais à produção agrícola. A organização ressalta ainda que a Moratória da Soja não foi extinta por imposição legal: o acordo continua formalmente em vigor, mas foi conscientemente esvaziado pela decisão voluntária de empresas que optaram por se retirar, apesar de terem plena possibilidade jurídica de permanecer.

Consolidada ao longo dos anos como o acordo multissetorial mais eficaz para dissociar a expansão da sojicultura do desmatamento na Amazônia, a Moratória da Soja apresenta resultados expressivos. Desde 2008, apenas 2,1% do desmatamento registrado nos municípios monitorados resultou em plantio de soja, segundo dados da própria Abiove, e mais de 13 mil quilômetros quadrados de floresta foram preservados graças ao acordo. Entre 2009 e 2022, o desmatamento nesses municípios caiu 69%, enquanto a área plantada com soja no bioma cresceu 344%, evidenciando que a moratória não limitou a produção agrícola, mas orientou sua expansão de forma sustentável e responsável.

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