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Governo cria maior parque nacional marinho do país

Localizado no extremo sul do país, região recebe importantes espécies vindas das águas frias da Patagônia e de outras áreas do Atlântico Sul

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 mar 2026, 13h29 | Atualizado em 9 mar 2026, 13h37
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O goveno brasileiro deu um passo importante na ampliação de sua proteção marinha ao criar o Parque Nacional do Albardão, no extremo sul do país. O decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na ultima quinta-feira, 5, e publicado no Diário da União, no dia seguinte, estabelece uma área protegida de 1.004.480 hectares no litoral do município de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do país. Com essa dimensão, Albardão se torna o maior parque marinho brasileiro. Ao lado dele, o governo também criou a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, com cerca de 56 mil hectares, formando um mosaico de conservação voltado a proteger um dos trechos mais ricos — e vulneráveis — do Atlântico Sul.

A decisão vem como uma saída para diminuir a pesca ilegal e o número alarmante de animais feridos e mortos, que ficam jogados nas areias das praias do Albardão. Somente neste ano, 400 tartarugas marinhas e 139 toninhas foram encontradas mortas na costa. A toninha — também chamada de franciscana — é o menor golfinho do Atlântico Sul e está ameaçada de extinção. Grande parte dessas mortes está associada à pesca industrial, que captura animais de forma acidental em redes utilizadas para outros peixes.

O litoral do Albardão é considerado estratégico para a biodiversidade justamente porque funciona como uma espécie de corredor ecológico. A região fica em uma área de encontro de correntes oceânicas e recebe espécies vindas tanto das águas frias da Patagônia quanto de outras partes do Atlântico Sul. Baleias-francas, leões-marinhos, lobos-marinhos e diferentes espécies de golfinhos utilizam essa faixa costeira durante migrações ou períodos de alimentação. Tartarugas marinhas, tubarões e raias ameaçados de extinção também fazem parte desse ecossistema.

Além da fauna marinha, o parque protege um mosaico de ambientes naturais que inclui praias extensas, dunas, lagoas costeiras e fundos marinhos arenosos ou rochosos. Esses habitats sustentam uma cadeia ecológica complexa e servem de área de reprodução, alimentação e desenvolvimento para inúmeras espécies de peixes, aves e mamíferos marinhos.

Com o novo parque, atividades potencialmente impactantes passam a ter restrições mais rígidas. A ideia é reduzir a pressão da pesca industrial e criar uma zona de refúgio para a fauna marinha, permitindo a recuperação de populações ameaçadas. A criação do Parque Nacional do Albardão também reforça o compromisso brasileiro de ampliar áreas protegidas no oceano, um objetivo que o país tem defendido em fóruns internacionais de clima e biodiversidade. Mais do que proteger um trecho do litoral gaúcho, a nova unidade de conservação representa uma tentativa de preservar um dos ambientes marinhos mais singulares do país — antes que a pressão humana torne irreversíveis as perdas que já começam a aparecer nas praias.

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