Receba 4 Revistas em casa por 32,90/mês

Microsoft avalia recuar de meta climática diante da explosão de data centers de IA

Pressão por energia para inteligência artificial leva Big Tech a rever compromissos ambientais; uso de gás natural ganha espaço

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 Maio 2026, 16h39 | Atualizado em 6 Maio 2026, 16h43

A Microsoft discute internamente adiar ou até abandonar uma de suas metas climáticas mais ambiciosas, em meio à crescente demanda energética provocada pela expansão de data centers para inteligência artificial.

A empresa avalia rever o compromisso de, até 2030, abastecer 100% de seu consumo elétrico, em tempo real, com fontes renováveis, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira, 6, pelo canal de notícias Bloomberg.

Um modelo considerado mais rigoroso do que as metas tradicionais anuais adotadas por companhias do setor.

A possível mudança ainda não foi formalizada, mas já sinaliza um ponto de inflexão na estratégia ambiental das grandes empresas de tecnologia.

Data centers viram gargalo energético

O avanço acelerado da inteligência artificial transformou o consumo de energia em um dos principais desafios da indústria.

Sistemas baseados em IA exigem infraestrutura intensiva, com centros de dados operando continuamente em alta capacidade.

A própria Microsoft vem ampliando rapidamente sua rede: a companhia adiciona cerca de 1 gigawatt de capacidade a cada três meses, o suficiente para abastecer aproximadamente 750 mil residências.

Continua após a publicidade

Projeções da International Energy Agency indicam que o consumo energético de data centers deve crescer de forma exponencial na próxima década.

Nos Estados Unidos, estudos apontam que o uso de gás natural tende a liderar essa expansão, enquanto fontes renováveis devem responder por cerca de metade do crescimento global.

Emissões sobem com expansão da IA

O aumento da demanda já tem impacto direto nas emissões das gigantes de tecnologia.

Relatórios recentes mostram que as emissões da Microsoft cresceram cerca de 23% em comparação aos níveis anteriores à popularização de sistemas como o ChatGPT.

Outras empresas seguem trajetória semelhante. A Amazon, a Meta e a Google também registraram aumentos relevantes, refletindo o peso crescente da infraestrutura digital.

Continua após a publicidade

Internamente, a Microsoft atribui a alta à expansão de serviços em nuvem e IA, que passaram a concentrar investimentos bilionários.

Gás natural ganha espaço

Diante da urgência para colocar novos data centers em operação, fontes fósseis voltam ao centro da estratégia energética.

O gás natural tem sido apontado como solução mais rápida e confiável para garantir fornecimento contínuo.

A Microsoft chegou a discutir parcerias com a Chevron para viabilizar projetos de geração a gás nos Estados Unidos, segundo relatos.

Especialistas avaliam que, na prática, a prioridade mudou. A construção de infraestrutura para IA passou a competir diretamente com metas de descarbonização, antes tratadas como centrais na estratégia corporativa.

Continua após a publicidade

Meta mais ambiciosa pode ser abandonada

O objetivo conhecido como “100/100/0”, anunciado em 2021, previa que toda a energia consumida pela Microsoft fosse compensada, hora a hora, por fontes livres de carbono, e não apenas no balanço anual.

Esse tipo de meta exige disponibilidade constante de energia limpa na mesma rede elétrica em que a empresa opera, o que eleva custos e complexidade.

Mesmo concorrentes tratam iniciativas semelhantes como metas de longo prazo.

A Google, por exemplo, já classificou seu plano equivalente como um “moonshot”, algo ainda distante de ser plenamente alcançado.

Pressão financeira e revisão de prioridades

O esforço para sustentar a corrida da IA também pesa no caixa.

Continua após a publicidade

A Microsoft projeta investir cerca de US$ 190 bilhões (aproximadamente R$ 950 bilhões) em infraestrutura, sobretudo em data centers.

Com isso, áreas ligadas à sustentabilidade enfrentam maior escrutínio interno. Programas de remoção de carbono, por exemplo, já passam por revisão, segundo relatos.

Analistas apontam que a indústria vive um momento de ajuste.

Compromissos climáticos assumidos antes da explosão da IA estão sendo reavaliados diante de uma nova realidade de demanda energética.

Mudança pode redefinir padrão do setor

Caso confirme o recuo, a Microsoft pode abrir precedente para outras empresas de tecnologia revisarem suas metas ambientais.

Continua após a publicidade

A discussão já extrapola uma companhia.

Especialistas defendem que o setor precisará redefinir o que constitui um compromisso climático viável em um cenário de crescimento acelerado da inteligência artificial.

Na prática, a tensão entre inovação tecnológica e sustentabilidade deixou de ser teórica, e passou a moldar decisões estratégicas das maiores empresas do mundo.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).