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Onda de calor excepcional eleva as temperaturas na Europa

Fenômeno meteorológico ocorre quando uma massa de ar quente do norte da África fica presa sob um sistema de alta pressão sobre a parte ocidental do bloco

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 Maio 2026, 15h20
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Vários países do oeste da Europa enfrentaram mais um dia de onda de calor nesta terça-feira (26), com temperaturas muito acima da média para maio. O fenômeno meteorológico, conhecido como “cúpula de calor”, ocorre quando uma massa de ar quente do norte da África fica presa sob um sistema de alta pressão sobre a Europa Ocidental.

“É um pouco preocupante porque não é normal para esta época do ano, mas infelizmente acho que isso vai se tornar a norma na França”, disse Chloe Voisin, uma estudante de 22 anos, à AFP na cidade de Bordeaux, no sudoeste do país.

Nesta terça-feira, recordes de temperaturas para o mês de maio foram quebrados no Reino Unido e na França, onde um alerta laranja para onda de calor foi declarado em treze departamentos do oeste do país a partir de quarta-feira, segundo a agência meteorológica Météo-France.

A agência meteorológica do Reino Unido (Met Office) registrou máximas de 35°C perto de Londres nesta terça-feira, um dia depois de um recorde de 34,8°C ter sido registrado em Kew Gardens, a sudoeste da capital.

A Météo-France indicou que essa onda de calor “excepcional, histórica e sem precedentes” provavelmente durará pelo menos até o final da semana, com picos de até 38°C ou 39°C em algumas áreas.

Na França, a temperatura média nacional atingiu 24,8°C, um recorde para o mês de maio. A segunda-feira também havia quebrado um recorde, chegando a 24,6°C.

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As autoridades francesas relataram pelo menos sete mortes relacionadas à onda de calor, cinco delas por afogamento, já que muitas pessoas foram às praias para se refrescar, embora os salva-vidas só voltem a trabalhar em julho em muitas áreas.

No Reino Unido também foi notificada a morte de quatro adolescentes que se afogaram em várias regiões do país desde domingo.

Os cientistas afirmam que a mudança climática provocada pelo ser humano está amplificando os fenômenos extremos e que as ondas de calor, as secas e as inundações estão cada vez mais intensas e frequentes.

“Trabalho em uma cozinha, então é horrível”, comentou Renata Stankeviciute, uma lituana de 43 anos que vive na Inglaterra e que disse esperar que “daqui a alguns dias volte a fazer frio”.

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Mudanças climáticas

Philippe Bignens, um turista suíço de 56 anos que visitava Londres com o pai, contou à AFP que teve que mudar os planos e refugiar-se no hotel para evitar ficar ao ar livre durante as horas mais quentes do dia.  “Se você não se preocupa com o aquecimento global, ou é surdo, cego, ou ambos. Ele está aí, sim. Temos que nos preocupar e fazer algo a respeito”, afirmou.

O Met Office previu uma queda nas temperaturas no final da semana. Segundo um dos meteorologistas da agência, Greg Dewhurst, o aumento das temperaturas extremas é “um bom indicador das mudanças climáticas em ação” e provavelmente se tornará “o novo normal”.

Na Irlanda, duas estações meteorológicas registraram uma temperatura recorde de 28,8°C em maio, segundo dados da agência meteorológica (Met Éireann).

Em Paris, os fãs de tênis enfrentaram temperaturas de 33°C no torneio de Roland Garros, e os jogadores tiveram que competir sob um calor escaldante.

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Em Nort-sur-Erdre, a cerca de 30 km de Nantes, no oeste da França, um produtor de cereais declarou estar preocupado com o impacto do calor em seus campos de trigo.

“Isso pode afetar o desenvolvimento dos grãos. Com toda a chuva que caiu desde o início do ano, há uma reserva de água no solo que pode atenuar o fenômeno, mas é importante que esse calor não se prolongue”, disse Nicolas Favry, que cultiva trigo, milho e cevada.

Na Espanha, a agência meteorológica (Aemet) também alertou para “temperaturas extraordinariamente altas para esta época do ano”, que persistirão em todo o país durante toda a semana, exceto nas Ilhas Canárias, no oceano Atlântico.

Além disso, alertou para “noites tropicais” — quando a temperatura não fica abaixo de 20°C — no sudoeste da Espanha a partir de quarta-feira, com temperaturas máximas entre 36°C e 38°C de quarta a sexta-feira, segundo publicou na rede X.

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A Europa é o continente que apresentou o aquecimento mais rápido desde 1990, seguida de perto pela Ásia, com a América do Norte em terceiro lugar, segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

(Com AFP)

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