Novas Revelações: Acesse com exclusividade novas revelações de Vorcaro. Assine Agora!

APURAÇÃO DAS ELEIÇÕES 2026

São Paulo recebe 250 ônibus elétricos em programa de R$ 2,5 bilhões do BNDES

Entrega amplia frota movida a bateria, mas eletrificação enfrenta desafio de infraestrutura de recarga nas garagens da capital

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 set 2026, 19h24 | Atualizado em 30 set 2026, 19h28
São Paulo recebe 250 ônibus elétricos em programa de R$ 2,5 bilhões do BNDES Priorize VEJA no Google

São Paulo recebeu nesta quarta-feira (30) mais 250 ônibus elétricos financiados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Os veículos fazem parte de uma operação de R$ 2,5 bilhões aprovada pelo banco para apoiar a substituição de ônibus a diesel na capital.

Até agora, o BNDES liberou R$ 2,5 bilhões da operação, que permitiram a aquisição de 1.185 ônibus elétricos, segundo o banco. Os veículos entregues nesta quarta estão incluídos nesse total.

A eletrificação da frota avançou rapidamente em São Paulo nos últimos anos.

Continua após a publicidade

Em junho, a Prefeitura entregou um lote de 500 ônibus e informou que a cidade havia chegado a 1.759 veículos elétricos, entre modelos a bateria e trólebus. A frota total do sistema municipal, porém, supera 13 mil ônibus.

Com a nova entrega, a quantidade de ônibus elétricos em circulação aumenta, mas o diesel ainda responde pela maior parte da frota.

Continua após a publicidade

A substituição é parte da estratégia municipal de redução das emissões do transporte coletivo, setor que concentra uma parcela relevante do consumo de combustíveis fósseis na mobilidade urbana.

Segundo o BNDES, os 250 veículos entregues nesta quarta-feira evitarão a emissão de 85.594 toneladas de CO₂ por ano. Todos têm ar-condicionado, tomadas USB, conexão Wi-Fi e equipamentos de acessibilidade.

Continua após a publicidade

Recarga vira desafio

A expansão da frota elétrica exige mudanças que vão além da compra dos ônibus. As empresas precisam instalar carregadores e ampliar a capacidade elétrica das garagens, que passam a funcionar também como pontos de abastecimento da frota.

Um estudo publicado neste ano pelo ICCT (Conselho Internacional de Transporte Limpo) analisou justamente essa questão em São Paulo.

Continua após a publicidade

A pesquisa simulou a operação de ônibus elétricos em 46 garagens e constatou que a capacidade de atendimento varia significativamente de uma unidade para outra.

Considerando um limite de potência de 2,5 megawatts, a quantidade máxima de ônibus que poderia ser operada por garagem variou de 45 a 132.

Continua após a publicidade

A relação média foi de 4,32 ônibus por carregador, mas o resultado depende das características das linhas, do consumo de energia e da operação de cada garagem.

A Prefeitura também vem testando sistemas de armazenamento de energia para contornar limitações da rede elétrica.

Em 2025, autorizou a instalação de sistemas BESS, que utilizam baterias de grande porte para armazenar eletricidade e alimentar os carregadores. Um módulo de 4,5 MWh pode, segundo a Prefeitura, carregar até 29 ônibus em um ciclo.

A infraestrutura é uma das razões pelas quais a eletrificação não consiste simplesmente em trocar um veículo a diesel por outro elétrico.

O planejamento precisa considerar autonomia das baterias, horários de operação, tempo de recarga, capacidade da rede e potência disponível nas garagens.

Custo inicial é maior

Outro obstáculo é o preço de aquisição. Valores de referência definidos pela Prefeitura para 2025 mostram que um ônibus básico elétrico custava R$ 2,5 milhões, contra R$ 554 mil para um modelo a diesel.

Para ônibus articulados de 21 metros, os valores eram de R$ 4,5 milhões e R$ 1,5 milhão, respectivamente.

A diferença é parcialmente compensada pelo custo de operação. Segundo a SPTrans, o gasto médio com recarga de um ônibus elétrico pode ser até 71% inferior ao custo de abastecimento de um modelo a diesel.

O motor elétrico também tem menos componentes móveis, o que tende a reduzir a necessidade de manutenção.

O modelo adotado em São Paulo distribui parte desse investimento entre poder público e empresas operadoras. No financiamento do BNDES, os recursos são usados para pagar a subvenção concedida pela Prefeitura aos contratos de concessão.

O pagamento é feito diretamente aos fabricantes, enquanto as concessionárias assumem a infraestrutura de recarga e parte do custo dos veículos.

Mais financiamento

A eletrificação da frota também passou a contar com novas fontes de crédito. Em agosto, São Paulo foi autorizado pelo Senado a contratar operações internacionais que somam 702 milhões de dólares, cerca de 3,6 bilhões de reais.

Segundo a Prefeitura, parte dos recursos poderá apoiar a aquisição de aproximadamente 1.100 ônibus elétricos. A estimativa representa a capacidade de financiamento, e não uma quantidade já comprada ou contratada.

A capital também formalizou em agosto um empréstimo de 248 milhões de dólares com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com desembolso condicionado ao cumprimento de metas relacionadas à eletrificação e à melhoria do transporte público.

A estratégia de financiamento indica que a substituição dos ônibus a diesel deve continuar nos próximos anos. A legislação climática municipal estabelece como objetivo eliminar, até 2038, as emissões de CO₂ de origem fóssil do sistema de transporte público.

O avanço, porém, ocorre de forma gradual. Com mais de 13 mil ônibus no sistema, a frota elétrica ainda representa uma parcela minoritária.

A expansão dependerá não apenas da disponibilidade de crédito e da compra dos veículos, mas também da capacidade de adaptar garagens e da rede elétrica para sustentar uma frota cada vez maior.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Capa da revista Veja, um celular e um notebook exibindo o site da revista, sobre fundo preto com texto BLACKFRIDAY repetido
ECONOMIZE ATÉ 83% OFF

Digital Essencial

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 3,99/mês
ESQUENTA BLACK FRIDAY

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).