São Paulo recebe 250 ônibus elétricos em programa de R$ 2,5 bilhões do BNDES
Entrega amplia frota movida a bateria, mas eletrificação enfrenta desafio de infraestrutura de recarga nas garagens da capital
São Paulo recebeu nesta quarta-feira (30) mais 250 ônibus elétricos financiados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Os veículos fazem parte de uma operação de R$ 2,5 bilhões aprovada pelo banco para apoiar a substituição de ônibus a diesel na capital.
Até agora, o BNDES liberou R$ 2,5 bilhões da operação, que permitiram a aquisição de 1.185 ônibus elétricos, segundo o banco. Os veículos entregues nesta quarta estão incluídos nesse total.
A eletrificação da frota avançou rapidamente em São Paulo nos últimos anos.
Em junho, a Prefeitura entregou um lote de 500 ônibus e informou que a cidade havia chegado a 1.759 veículos elétricos, entre modelos a bateria e trólebus. A frota total do sistema municipal, porém, supera 13 mil ônibus.
Com a nova entrega, a quantidade de ônibus elétricos em circulação aumenta, mas o diesel ainda responde pela maior parte da frota.
A substituição é parte da estratégia municipal de redução das emissões do transporte coletivo, setor que concentra uma parcela relevante do consumo de combustíveis fósseis na mobilidade urbana.
Segundo o BNDES, os 250 veículos entregues nesta quarta-feira evitarão a emissão de 85.594 toneladas de CO₂ por ano. Todos têm ar-condicionado, tomadas USB, conexão Wi-Fi e equipamentos de acessibilidade.
Recarga vira desafio
A expansão da frota elétrica exige mudanças que vão além da compra dos ônibus. As empresas precisam instalar carregadores e ampliar a capacidade elétrica das garagens, que passam a funcionar também como pontos de abastecimento da frota.
Um estudo publicado neste ano pelo ICCT (Conselho Internacional de Transporte Limpo) analisou justamente essa questão em São Paulo.
A pesquisa simulou a operação de ônibus elétricos em 46 garagens e constatou que a capacidade de atendimento varia significativamente de uma unidade para outra.
Considerando um limite de potência de 2,5 megawatts, a quantidade máxima de ônibus que poderia ser operada por garagem variou de 45 a 132.
A relação média foi de 4,32 ônibus por carregador, mas o resultado depende das características das linhas, do consumo de energia e da operação de cada garagem.
A Prefeitura também vem testando sistemas de armazenamento de energia para contornar limitações da rede elétrica.
Em 2025, autorizou a instalação de sistemas BESS, que utilizam baterias de grande porte para armazenar eletricidade e alimentar os carregadores. Um módulo de 4,5 MWh pode, segundo a Prefeitura, carregar até 29 ônibus em um ciclo.
A infraestrutura é uma das razões pelas quais a eletrificação não consiste simplesmente em trocar um veículo a diesel por outro elétrico.
O planejamento precisa considerar autonomia das baterias, horários de operação, tempo de recarga, capacidade da rede e potência disponível nas garagens.
Custo inicial é maior
Outro obstáculo é o preço de aquisição. Valores de referência definidos pela Prefeitura para 2025 mostram que um ônibus básico elétrico custava R$ 2,5 milhões, contra R$ 554 mil para um modelo a diesel.
Para ônibus articulados de 21 metros, os valores eram de R$ 4,5 milhões e R$ 1,5 milhão, respectivamente.
A diferença é parcialmente compensada pelo custo de operação. Segundo a SPTrans, o gasto médio com recarga de um ônibus elétrico pode ser até 71% inferior ao custo de abastecimento de um modelo a diesel.
O motor elétrico também tem menos componentes móveis, o que tende a reduzir a necessidade de manutenção.
O modelo adotado em São Paulo distribui parte desse investimento entre poder público e empresas operadoras. No financiamento do BNDES, os recursos são usados para pagar a subvenção concedida pela Prefeitura aos contratos de concessão.
O pagamento é feito diretamente aos fabricantes, enquanto as concessionárias assumem a infraestrutura de recarga e parte do custo dos veículos.
Mais financiamento
A eletrificação da frota também passou a contar com novas fontes de crédito. Em agosto, São Paulo foi autorizado pelo Senado a contratar operações internacionais que somam 702 milhões de dólares, cerca de 3,6 bilhões de reais.
Segundo a Prefeitura, parte dos recursos poderá apoiar a aquisição de aproximadamente 1.100 ônibus elétricos. A estimativa representa a capacidade de financiamento, e não uma quantidade já comprada ou contratada.
A capital também formalizou em agosto um empréstimo de 248 milhões de dólares com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), com desembolso condicionado ao cumprimento de metas relacionadas à eletrificação e à melhoria do transporte público.
A estratégia de financiamento indica que a substituição dos ônibus a diesel deve continuar nos próximos anos. A legislação climática municipal estabelece como objetivo eliminar, até 2038, as emissões de CO₂ de origem fóssil do sistema de transporte público.
O avanço, porém, ocorre de forma gradual. Com mais de 13 mil ônibus no sistema, a frota elétrica ainda representa uma parcela minoritária.
A expansão dependerá não apenas da disponibilidade de crédito e da compra dos veículos, mas também da capacidade de adaptar garagens e da rede elétrica para sustentar uma frota cada vez maior.






