A volta ao trabalho do delegado que perdeu a perna em megaoperação no Rio
Bernardo Leal foi atingido na coxa por um tiro de fuzil durante o confronto no Complexo da Penha e do Alemão em outubro passado
O delegado Bernardo Leal, que foi baleado durante a Megaoperação Contenção em outubro do ano passado, retornou ao trabalho nesta quarta-feira, 28. Ele ficou quase três meses afastado após ter sido atingido por um tiro de fuzil na coxa, em um combate entre policiais e traficantes do Comando Vermelho, no Complexo da Penha e do Alemão.
Em imagens compartilhadas nas redes sociais, é possível ver o delegado sendo recebido por um corredor de aplausos ao chegar à Cidade da Polícia, sede da Civil no Rio de Janeiro. O secretário Felipe Curi foi o primeiro a cumprimentar Leal. “Não é só um herói das polícias. É um herói do Rio e acho que um herói nacional. Ele também é um exemplo de ser humano”, comentou.
Atingido no confronto
O delegado foi um dos planejadores da megaoperação, que tinha como objetivo capturar líderes de facções criminosas e conter a expansão territorial da facção carioca. Durante a ação, ele foi atingido por um tiro de fuzil na perna direita. Vídeos do confronto mostram o momento em que o integrante da Polícia Civil foi socorrido por colegas de trabalho em meio a um intenso tiroteio. Leal contou que foi retirado do local apenas uma hora depois de ter se ferido. Ainda de acordo com o delegado, não havia sinal de telefone durante o embate, o que dificultou o resgate.
Bernardo foi carregado nas costas até uma moto e depois levado por uma viatura até o hospital. Lá, um médico constatou que ele teria apenas 3% de chance de sobreviver. O tiro provocou uma fratura no fêmur e rompeu a artéria e a veia femoral. O policial sofreu uma hemorragia grave e teve que receber 30 bolsas de sangue. Ele passou por nove cirurgias desde então. Além disso, sua perna foi amputada durante o tratamento. No total, foram 47 dias internado e sete dias em coma.
Como aconteceu
Em um vídeo compartilhado pela Polícia Civil nas redes sociais, Bernardo explica que caiu em uma armadilha de um dos traficantes do CV. O bandido se aproximou dele com vestimentas idênticas ao uniforme usado pelos agentes de segurança. O homem também sabia dos códigos utilizados durante a operação, o que facilitou a aproximação.
De acordo com o delegado, o criminoso teria escutado o vocabulário específico durante o confronto. “Um policial que estava comigo grita a senha e eu respondo com a contrassenha certa. É nesse momento que eu corro para o lado e sinto minha perna queimando. Eu caí de imediato”, explicou.
A Operação Contenção foi a mais letal da história do Rio de Janeiro. Realizada no dia 28 de outubro de 2025, ela mobilizou mais de 2,5 mil policiais militares e civis no Complexo do Alemão e da Penha. A ação deixou mais de 120 mortos, entre eles cinco agentes de segurança.






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