Receba 4 Revistas em casa por 29,90/mês

As teses que opõem acusação e réus no caso Henry Borel

Ex-vereador Dr. Jairinho, padrasto do menino, e professora Monique Medeiros, mãe da criança, são julgados por homicídio duplamente qualificado

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 Maio 2026, 16h23
As teses que opõem acusação e réus no caso Henry Borel Priorizar nos meus resultados Google

Cinco anos após a morte do menino Henry Borel, no dia 8 de março de 2021, o o ex-vereador carioca Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, padrasto do menino, e a professora Monique Medeiros, mãe de Henry, enfrentam o julgamento por homicídio duplamente qualificado por tortura e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O veredicto está nas mãos de sete jurados.

O laudo da necropsia é categórico: Henry morreu em decorrência de uma laceração no fígado que causou uma hemorragia interna. O ferimento, na avaliação do perito do Instituto Médico Legal (IML), foi provocado por uma “ação contundente”, ou seja, violenta. 

Jairo e Monique negam enfaticamente ter assassinado a criança, mas estão em uma posição difícil porque ficou comprovado que Henry foi vítima de episódios de agressão antes do desfecho fatal. Uma ex-enteada relatou que também foi agredida por Jairinho na infância

Os advogados do ex-vereador tentam convencer os jurados de que Jairinho prestou socorro ao menino. Henry foi levado por ele e pela mãe ao hospital Barra D’Or, mas segundo a equipe médica já chegou morto na emergência. As profissionais responsáveis pelo atendimento foram unânimes em seus depoimentos: Henry estava com trismo, ou seja, rigidez da mandíbula. O dado é importante para o Ministério Público porque, na visão da acusação, demonstra que o menino só foi levado ao hospital quando Jairinho e Monique tinham certeza de que ele estava morto e que não havia mais chance de salvá-lo. 

Já o ex-vereador alega que a criança estava viva, caso contrário a equipe médica não teria empreendido tanto esforço na tentativa de reanimação, e atribui a morte – e os machucados identificados no corpo – às manobras de ressuscitação. Os médicos tentaram reanimar o menino, que chegou a ser entubado, com massagens cardíacas e injeções de adrenalina. Segundo o hospital, o corpo médico seguiu protocolos técnicos e nenhuma das lesões apontadas na necropsia é compatível com o atendimento. Em depoimento, uma das pediatras narrou que prolongou as manobras de ressuscitação por apelo de Leniel Borel, pai de Henry, que pediu que não desistissem do filho dele.

Continua após a publicidade

Os advogados do ex-vereador também pretendem tentar desqualificar o laudo do IML, a principal prova técnica da acusação. Existem de fato ali imprecisões — no nome do hospital e na cor dos olhos do menino, por exemplo — que serão usadas na tentativa de colocar em dúvida as conclusões do relatório, mas que em pouco alteram o essencial.

O julgamento também se organiza em torno da figura de Monique Medeiros, mãe de Henry, hoje no centro de uma disputa de narrativas sobre o que aconteceu na noite da morte do menino. O processo passou por uma guinada em abril de 2021, quando Monique foi presa. Em uma estratégia de auto-sobrevivência, a professora dispensou os advogados de Jairinho, rifou o ex-vereador e passou a dizer que foi coagida a mentir nos primeiros depoimentos. A versão inicial, de que o menino foi encontrado por ela caído no quarto, foi retificada. Monique passou a sustentar que estava dormindo e que não sabe o que aconteceu com o filho.

Monique vai afirmar no julgamento que foi dopada pelo ex-vereador e, por isso, não presenciou as agressões. A defesa pretende usar a seu favor os relatos de ex-namoradas de Jairinho, que passaram a denunciar publicamente agressões do ex-vereador e são testemunhas da acusação no Tribunal do Júri. Monique vai alegar que viveu um relacionamento abusivo e que é uma vítima na história. O obstáculo é a acusação, que pretende pintá-la como uma alpinista social que negligenciou o filho para ascender economicamente. 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).