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Brasil bate recorde de denúncias de trabalho escravo

Cerca de 1 milhão de pessoas esperam resgate, segundo a organização internacional Walk Free

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jan 2026, 06h01 | Atualizado em 28 jan 2026, 06h20
Brasil bate recorde de denúncias de trabalho escravo Priorizar nos meus resultados Google

Dados do Ministério dos Direitos Humanos mostram que o Brasil registrou, no último ano, o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão desde o início da série histórica.

Foram 4.515 ocorrências ao longo de 2025. O total representa um aumento de cerca de 14% em relação a 2024 e consolida uma triste tendência contínua de crescimento nos registros.

O avanço das denúncias revela um cenário preocupante: há mais pessoas pedindo socorro do que o Estado é capaz de atender com a estrutura atual. De acordo com a organização internacional Walk Free, referência global no combate à escravidão moderna, cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil vivem em situação de trabalho análogo à escravidão e aguardam resgate.

As denúncias, que podem ser feitas de forma sigilosa pelo Disque 100 e pelo Sistema Ipê, envolvem práticas como jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho, servidão por dívida e restrição de liberdade, situações que caracterizam o crime de trabalho análogo à escravidão, conforme previsto na legislação brasileira.

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O 28 de janeiro é uma data simbólica porque marca o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo e do Auditor-Fiscal do Trabalho. A data homenageia os auditores-fiscais Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, além do motorista Aílton Pereira de Oliveira, assassinados na Chacina de Unaí (MG), em 2004, durante uma operação de fiscalização em fazendas. A data foi instituída pela Lei nº 12.064/2009.

O crescimento das denúncias evidencia um problema estrutural: o Brasil enfrenta um déficit crítico de auditores-fiscais do trabalho, o que compromete severamente a capacidade de fiscalização e de intervenção do Estado. Estudos técnicos indicam que o país possui menos da metade do número de auditores recomendado pela Organização Internacional do Trabalho para desempenhar adequadamente suas funções de inspeção, incluindo o combate ao trabalho escravo e à informalidade.

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A atuação desses profissionais é fundamental não apenas para coibir condições degradantes de trabalho entre adultos, mas também para proteger crianças e adolescentes, vítimas das piores formas de trabalho infantil, e idosos, frequentemente submetidos a jornadas exaustivas sem garantia de direitos básicos.

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