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Caso Henry: perito do IML reitera que morte não foi acidental

Leonardo Tauil atribuiu inconsistências em laudo a erro de digitação e manteve conclusões da perícia; julgamento entrou nesta segunda, 1º, no oitavo dia

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 jun 2026, 15h04 | Atualizado em 1 jun 2026, 16h55
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O júri do caso Henry Borel entrou nesta segunda-feira, 1º, no oitavo dia de julgamento. As últimas testemunhas estão sendo ouvidas hoje e a partir desta terça a sessão deve entrar em uma nova fase, a dos interrogatórios dos réus, o ex-vereador carioca Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho, padrastro do menino, e a professora Monique Medeiros, mãe da criança, que respondem por homicídio duplamente qualificado.

O perito legista Leonardo Tauil descartou que o menino Henry Borel tenha morrido em decorrência de um acidente doméstico, como uma queda da cama, ou de erros no atendimento médico. Foi ele quem assinou o laudo necroscópico da criança. O documento concluiu que a morte foi causada por uma laceração no fígado que gerou uma hemorragia interna. O ferimento, na avaliação do perito do Instituto Médico Legal (IML), foi provocado por uma “ação contundente”, ou seja, violenta. Segundo Tauil, a lesão é compatível com uma “ação de alta energia”, como uma queda de mais de 3,5 metros.

Um dos jurados questionou se a lesão poderia ter sido causada antes de o menino ser entregue à mãe, no edifício Magestic, na Barra da Tijuca, zona Sudoeste do Rio, onde Monique morava com Jairinho, e levado Henry a passar mal durante a madrugada. Na avaliação do perito, seria um cenário extremamente improvável, porque o acumulo de sangue causa dor e impediria a criança de dormir. “Falar que é impossível eu não consigo falar, mas é muito difícil, extremamente improvável”, explicou o perito.

O depoimento corrobora os relatos do médico legista aposentado Luiz Carlos Leal Prestes, que cravou que a morte da criança foi causada por espancamento, e da pediatra Maria Cristina de Souza, que participou do atendimento do menino. A médica contou que Henry estava tecnicamente morto, sem pulso, quando deu entrada na emergência do hospital Barra D’Or, na zona sudoeste do Rio. De acordo com Maria Cristina, as manobras de reanimação foram prolongadas após apelos de Leniel Borel, pai do menino, para que não desistissem do filho, mas reiterou que os hematomas no corpo da criança não têm qualquer relação com o atendimento.

Leonardo Tauil fez o laudo principal e, depois, uma série de complementações, solicitadas pela Polícia Civil durante a investigação. Os advogados do ex-vereador tentam desqualificar os documentos, que são a principal prova técnica da acusação. Existem imprecisões no laudo — no nome do hospital e na cor dos olhos do menino, por exemplo. O perito atribuiu os equívocos a um erro de digitação. Tauil explicou que usou o arquivo de um laudo anterior e esqueceu de alterar alguns detalhes, mas reiterou as conclusões da perícia.

Ao todo, 22 testemunhas serão ouvidas. Em seguida, os réus serão interrogados. Por fim, a acusação e as defesas terão a oportunidade de apresentar seus argumentos finais. Só então os jurados vão votar e a juíza lerá o veredicto.

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