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Como era o esquema de venda irregular de terrenos dentro de parque estadual do Rio

Estrutura criminosa envolvia policiais militares e civis, milicianos e falsos corretores de imóveis

Por Luiza Zubelli 11 jun 2026, 18h51 | Atualizado em 11 jun 2026, 18h54
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O Ministério Público do Rio prendeu, nesta quinta-feira, 11, quatro pessoas por envolvimento em uma organização criminosa que vendia terrenos irregulares dentro do Parque Estadual da Pedra Branca, em Campo Grande, na Zona Oeste da cidade. A denúncia contra o grupo inclui 15 outros nomes, dentre eles três policiais civis e um PM. Nesta quinta, o órgão cumpriu quatro mandados de prisão e outros sete de busca e apreensão nos bairros de Copacabana, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Olaria e Realengo.

De acordo com o MP, 0 grupo causou um prejuízo de mais de R$ 846 mil às vítimas, além dos graves danos ambientais por causa das obras realizadas na região. As investigações foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema). Entre os alvos dos mandados de busca também está um delegado da Polícia Civil, que não foi formalmente denunciado. A ação conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria-geral da Polícia Militar.

Como funcionava o esquema

Segundo as investigações, o bando comercializava terrenos supostamente regularizados na área preservada. O inquérito do Ministério Público revelou que um homem, identificado como Milton Souza Júnior, apontado como chefe do grupo, se apresentava como dono das terras da região, promovia parcelamento irregular dos terrenos e vendia os lotes.

Para enganar os compradores, a organização criminosa contava com falsos corretores de imóveis e usava empresas de fachada e laranjas para receber o dinheiro da compra dos terrenos. Além disso, mensagens obtidas no celular de Marcos Eduardo Maia, um dos policiais civis denunciados, revelaram a participação de agentes da 35ª DP (Campo Grande) no esquema, fornecendo informações privilegiadas e dificultando o avanço das investigações.

A denúncia do Ministério Público também detalhou o papel de Maia na estrutura criminosa. Ele era a ponte entre o grupo e os outros dois policiais civis denunciados  – Marcello Carvalho de Menezes e Leonardo da Silva Machado. Os dois, por sua vez, ficavam responsáveis por levantar informações de interesse dos investigados.

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Já o PM Wendel Vale de Oliveira, também alvo da denúncia, era responsável pelas maquinas utilizadas nas obras. Além dos agentes públicos, o MP também descobriu que o grupo tinha envolvimento com milicianos da Zona Oeste do Rio. Durante as investigações, foram encontradas conversas em que os investigados discutiam a execução de milicianos rivais.

Além do ajuizamento da ação penal, o Ministério Público pediu o confisco de bens dos denunciados e a suspensão do exercício de funções públicas. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Especializada da Capital.

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