Datas: Mary de Rachewiltz, Vincent Pastore e Nirmal Purja
As despedidas que marcaram a semana
A tradutora e escritora italiana Mary de Rachewiltz teve uma dupla missão: verter para o italiano e defender a imagem pública de seu pai, o poeta americano Ezra Pound (1885-1972). O esforço, quase sempre inglório: distinguir o legado literário do genial autor de Os Cantos de seu inaceitável antissemitismo e do apoio fervoroso ao fascismo de Benito Mussolini. Entre 1941 e 1943, Pound gravou discursos com teorias conspiratórias e críticas aos Estados Unidos. Ele seria formalmente acusado de traição pelo governo americano.
Mary — nascida fora do casamento de Pound, da relação com outra mulher — tentou sempre ponderar as posições paternas, que seriam retratos de um tempo, mas os argumentos foram esmagados pelas evidências históricas. Ela morreu em 24 de julho, aos 101 anos, na Itália. A notícia só foi revelada na semana passada.
Mafioso de plantão
Era preciso um ator com jeitão de mafioso na tela? Bastava chamar Vincent Pastore, americano nascido no bairro nova-iorquino do Bronx. Nos anos 1980, já com mais de 40 anos de idade, depois de ter trabalhado como segurança de boate e motorista de limusine, ele participou, enfim, de filmes para o cinema e a televisão em torno de gângsteres. Fez sucesso com Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese, lançado em 1990, e então foi listado para a série que o faria estelar. Em Os Sopranos, clássico da HBO, é “Big Pussy” Bonpensiero, o amigo de Tony Soprano que se torna informante do FBI. Pastore foi encontrado morto em 1º de agosto, em sua casa, no Bronx. Tinha 80 anos. A polícia investiga as causas.
O céu era o limite
Criado em um vilarejo do Nepal, razoavelmente distante de algumas das montanhas mais altas do mundo, como o Everest e o Kangchenjunga, Nirmal Purja só foi se interessar pelo alpinismo depois de servir às brigadas britânicas na região. A paixão repentina e a habilidade o fizeram chegar às alturas, como um dos mais celebrados esportistas da atividade. Ele ficou mundialmente conhecido a partir de 2021, depois de a Netflix lançar um documentário sobre sua trajetória, 14 Montanhas: Nada É Impossível. A produção narra sua ascensão aos catorze picos com mais de 8 000 metros de altitude em seis meses e seis dias, entre abril e outubro de 2019, um recorde na época. Purja morreu em 30 de julho, ao lado de um grupo de montanhistas, vítima de um deslizamento a caminho do pico do Broad Peak, a mais de 8 000 metros. Tinha 43 anos.
Publicado em VEJA de 7 de agosto de 2026, edição nº 3007







