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Decisão dos EUA sobre PCC e CV divide o eleitorado no Brasil, diz pesquisa AtlasIntel

Maioria dos brasileiros é favorável à medida, mas há controvérsia sobre risco à soberania e eficácia real da nova política

Por Bruno Caniato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 jun 2026, 11h02 | Atualizado em 4 jun 2026, 11h07
Decisão dos EUA sobre PCC e CV divide o eleitorado no Brasil, diz pesquisa AtlasIntel Priorizar nos meus resultados Google

Poucos desdobramentos recentes na política dividiram tanto a opinião dos brasileiros quanto a nova política dos EUA que classifica o PCC e o CV como organizações terroristas. Uma pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira, 4, indica que a percepção sobre o tema no Brasil é altamente politizada e causa forte discordância envolvendo a eficiência da medida e os riscos à soberania nacional.

Por margem apertada, predomina entre o eleitorado brasileiro o apoio à decisão: 53,1% dos brasileiros aprovam e 44,7% reprovam a nova classificação quanto às facções. O grupo favorável abrange quase a totalidade (98,6%) dos eleitores que votaram em Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, ao passo que 89,9% dos que optaram por Lula se dizem contrários à medida.

As expectativas sobre as consequências da nova política são profundamente divisivas. Enquanto 47,7% dos entrevistados veem a decisão da Casa Branca como uma manobra que aumenta o risco de intervenção estrangeira no Brasil, outros 44,7% defendem que a mudança de postura é um avanço necessário no combate ao crime organizado.

Quando a pauta é soberania nacional, a divergência de visões é ainda mais acirrada: 49,7% dos eleitores discordam e 49,4% concordam que o anúncio dos EUA seria uma agressão direta à soberania brasileira. A tese de ataque à autonomia do Brasil é descartada por 95,8% de quem votou em Bolsonaro e defendida por 93,4% dos eleitores de Lula na última eleição presidencial.

Apesar do apoio à decisão, há pouco ânimo sobre os efeitos práticos

A despeito da aprovação majoritária do anúncio americano, a percepção que predomina entre os brasileiros é de que a nova postura dos EUA pouco fará pelo combate ao PCC e ao CV.

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Para 29,6% dos entrevistados pela AtlasIntel, a novidade “não terá impacto relevante” no enfrentamento à violência pelas facções. Apenas cerca de um quarto (26,8%) acreditam que o cenário irá “melhorar significativamente”, e 17,2% dizem que a situação da segurança pública no Brasil deve “piorar significativamente”.

Gráfico de barras mostrando a pesquisa Atlas Intel de junho de 2026 sobre o impacto da medida do governo dos EUA no combate ao crime organizado no Brasil. 29,6% acreditam que não terá impacto relevante, 26,8% que vai melhorar significativamente, 17,2% que vai piorar significativamente, 17,1% que vai melhorar um pouco, 6,2% que vai piorar um pouco e 3,1% não sabem
Efeitos que a nova postura dos EUA sobre facções terá no combate ao crime no Brasil, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada em junho de 2026 (AtlasIntel/Reprodução)

Curiosamente, a esmagadora maioria dos brasileiros considera que as operações de inteligência, envolvendo rastreio de lavagem de dinheiro e o sufocamento financeiro das gangues, são as medidas mais eficientes contra as facções do narcotráfico — justamente as ações que são coordenadas pelas polícias investigativas (Civil e Federal), que podem ser as mais prejudicadas pela nova postura dos EUA.

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Em contraste, menos de um quarto (24,7%) dos entrevistados vê nas operações policiais ostensivas, comandadas principalmente pela Polícia Militar, o maior avanço contra as facções. Com a nova diretriz americana, porém, a tendência é que as medidas de enfrentamento militarizado sejam ampliadas, em detrimento das ações de inteligência policial.

Gráfico de barras mostrando pesquisa AtlasIntel sobre prioridades para combater PCC e Comando Vermelho.
Avaliação dos brasileiros sobre combate às facções criminosas, segundo pesquisa AtlasIntel publicada em junho de 2026 (AtlasIntel/Reprodução)

A pesquisa AtlasIntel entrevistou 1.237 eleitores no Brasil entre os dias 30 de maio e 3 de junho de 2026. A margem de erro é estimada em 3 pontos percentuais (pp), para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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