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Caso Henry Borel: Monique diz que foi dopada e culpa Jairinho pela morte do filho

Mãe do menino morto em 2021 responde por homicídio duplamente qualificado; ex-vereador, que na época era seu companheiro, também é acusado

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jun 2026, 13h02 | Atualizado em 2 jun 2026, 17h25
Caso Henry Borel: Monique diz que foi dopada e culpa Jairinho pela morte do filho Priorizar nos meus resultados Google

A professora Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, afirmou nesta terça-feira, 2, que nunca suspeitou que o ex-vereador carioca Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho, pudesse agredir a criança, mas confirmou que hoje acredita que ele tenha matado o menino. Monique e Jairinho respondem por homicídio duplamente qualificado. “O Jairo era acima de qualquer suspeita”, justificou.

Em seu depoimento no Tribunal do Júri, que durou mais de seis horas, Monique mudou a explicação que apresentou no início das investigações e disse que foi treinada pela equipe jurídica contratada pelo ex-vereador para mentir nos primeiros depoimentos. “Toda vez que tinha que falar alguma coisa mentirosa o advogado dava chutes no meu pé para eu não esquecer”, afirmou. A versão inicial, de que o menino foi encontrado por ela caído no quarto, foi retificada. Ela sustenta que estava dormindo e que não sabe o que aconteceu com o filho na madrugada do dia 8 de março de 2021. 

A professora afirma que foi dopada pelo ex-vereador e, por isso, não presenciou o que levou Henry a passar mal. Monique sustenta que Jairinho lhe dava remédios para dormir e que, em mais de uma ocasião, percebeu medicamentos macerados em taças de vinho. “Às vezes eu até trocava as taças”, relatou.

Naquela noite, de acordo com a professora, ela adormeceu muito rápido e foi acordada por Jairinho com a notícia de que o filho estava respirando mal. Segundo Monique, o ex-vereador afirmou que ouviu um barulho, encontrou Henry caído no chão e colocou o menino de volta na cama antes de chamá-la. Ela relembrou que, ao entrar no quarto, o filho estava de barriga para cima e descoberto, o que era inusual, já que ele tinha o hábito de dormir de bruços e enrolado nas cobertas. “O Henry estava gelado. O olhinho dele estava olhando para o nada”, rememorou. Em seguida, eles foram juntos ao hospital Barra D’or, onde segundo a equipe médica Henry deu entrada tecnicamente morto, sem pulso. As manobras de reanimação não foram suficientes para salvar o menino.

Monique alega que não tinha elementos suficientes para desconfiar das agressões de Jairinho a Henry, que hoje ela reconhece como verdadeiras. A professora relatou que notou uma mudança no comportamento do filho às vésperas da morte do menino, mas que interpretou os sinais como problemas emocionais decorrentes do divórcio dos pais, da mudança de casa e da adaptação escolar. “Até então eu não podia imaginar que o Jairo pudesse fazer alguma coisa com o meu filho”, declarou. “Se eu soubesse, eu estaria respondendo pelo homicídio do Jairo ou enterrada junto com meu filho”, acrescentou. Nesse ponto o relato converge com o de Leniel Borel, pai de Henry, que também afirmou que, na época, imaginou que o menino estava tendo dificuldade para lidar com a separação.

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A mãe de Henry disse nesta terça que passou a desconfiar do ex-vereador ao descobrir que ele trocou mensagens na madrugada da morte do menino, quando alegou que também estava dormindo. “Hoje eu creio que foi o Jairo”, admitiu a professora pela primeira vez. Na fase de instrução do processo, ao ser questionada sobre o que aconteceu no apartamento, ela declarou que só três pessoas tinham a resposta: “Meu filho, Deus e o Jairinho”. 

De calça jeans e blusa branca de manga comprida, a professora chorou inúmeras vezes ao longo do depoimento, especialmente ao descrever o enterro do filho. Ela procurou demonstrar que era uma mãe dedicada. Monique contou que foi ela quem procurou uma psicóloga infantil para atender o menino e que também pediu ajuda da escola para observar o comportamento de Henry.

A defesa procurou demonstrar que o pai do menino, Leniel Borel, era um companheiro ausente. Hoje ele é vereador, mas durante o casamento Leniel trabalhava como engenheiro, embarcado. “Eu era uma mãe solo, porque ele não estava comigo em nenhuma ultra, nenhum exame de sangue”, relembrou.

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A professora descreveu Jairinho como um homem que inicialmente se mostrou afetuoso com ela e com Henry, mas que, ao longo do relacionamento, passou a apresentar comportamento controlador, ciumento e agressivo. “O ciúme que ele tinha de mim eu achava que era uma forma de amor, atenção, que eu não tinha no meu relacionamento anterior”, afirmou.

Monique chegou ao júri com o desafio de tentar desfazer a versão da acusação, que a apresentou como uma alpinista social que negligenciou o filho para ascender economicamente. Para isso, ela destacou o currículo como professora e diretora de escola. Disse também que o prédio onde passou a morar com Jairinho não era um condomínio de luxo e que continuou a pagar as próprias contas. “Eu morava em uma cobertura de frente para a praia com o meu marido [Leniel]. Abri mão de tudo e fui morar nos fundos da casa da minha mãe. Sai do Recreio e fui para Bangu”, argumentou na tentativa de demonstrar que nunca agiu movida por interesse.

Confrontada pelo depoimento da babá, Thayná de Oliveira Ferreira, que afirmou que Monique a orientou a apagar mensagens trocadas por elas, a professora chamou negou. “É uma grande mentirosa. Por que eu mandaria ela apagar as mensagens se eu tinha os prints no meu telefone?”, rebateu. Thayná e outras pessoas da família dela prestam serviços para a família de Jairinho. Monique afirma que a babá tentou proteger o ex-vereador.

Thayná alertou Monique sobre o comportamento de Jairinho e expôs à mãe de Henry que suspeitava do comportamento do padrasto com o menino. Em seu primeiro depoimento à Polícia Civil, a babá mentiu para proteger os patrões. Disse aos investigadores que a relação de Henry com Jairinho era ótima e que nunca havia presenciado nada fora do padrão. Quando as mensagens enviadas a Monique vieram à tona, a partir da apreensão dos seus celulares, ela retificou a versão e contou que desconfiava de agressões. Já Monique sustenta que, a partir das conversas, não fica claro que o filho havia sido agredido. Segundo a professora, ela acreditava que Jairinho pudesse ter ofendido verbalmente Henry, chamando-o de “mimado” ou “bobalhão”, como havia feito em uma ocasião anterior.

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