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Dona do Google, Alphabet perde US$ 700 bi em valor de mercado com dúvidas sobre IA

Após disparada de mais de 150% em doze meses, empresa enfrenta pressão por gastos bilionários, saída de pesquisadores e atrasos

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 ago 2026, 16h43 | Atualizado em 27 ago 2026, 17h34
Dona do Google, Alphabet perde US$ 700 bi em valor de mercado com dúvidas sobre IA Priorizar nos meus resultados Google

A aposta da Alphabet na inteligência artificial, que transformou a dona do Google em uma das ações favoritas de Wall Street, começa a produzir o efeito contrário.

Desde o pico histórico alcançado em maio, as ações da empresa caíram cerca de 15%, eliminando US$ 692 bilhões (R$ 3,8 trilhões) em valor de mercado e levantando dúvidas sobre a capacidade do grupo de manter a liderança tecnológica em uma corrida cada vez mais disputada.

A queda ocorre poucos meses depois de a Alphabet viver um de seus melhores períodos na Bolsa.

As ações haviam subido mais de 150% em doze meses até maio, colocando a empresa entre as maiores altas do S&P 500 e à frente de outras gigantes da chamada Magnificent Seven.

O movimento refletia a percepção de que o Google seria um dos principais vencedores da explosão da inteligência artificial.

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Agora, os investidores passaram a questionar justamente essa premissa.

Parte da pressão está relacionada à saída de pesquisadores e executivos considerados estratégicos para a área de IA.

Nos últimos meses, nomes importantes deixaram a companhia para trabalhar em concorrentes como OpenAI e Anthropic.

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Em agosto, Jeff Dean, um dos principais responsáveis pela estratégia de inteligência artificial do Google, também deixou a empresa para criar uma startup, levando consigo outros profissionais de alto nível.

Demis Hassabis, chefe do Google DeepMind, por sua vez, deixou o cargo de CEO da unidade de pesquisa para assumir a presidência do laboratório.

A sucessão de saídas alimentou o temor de que a Alphabet esteja perdendo parte de sua vantagem justamente no segmento que passou a determinar o valor das grandes empresas de tecnologia.

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Modelos atrasados

Outro foco de preocupação é o desenvolvimento dos modelos Gemini, principal aposta do Google para competir com sistemas da OpenAI e da Anthropic.

O Gemini 3.5 Pro está atrasado, segundo informações de mercado, especialmente por dificuldades relacionadas às ferramentas de programação.

O Google lançou recentemente uma versão mais leve, o Gemini 3.7 Flash, mas não apresentou um cronograma para a chegada do modelo mais poderoso.

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A percepção de parte dos investidores é que, em um mercado em que novos modelos são lançados em intervalos cada vez menores, atrasos podem significar perda de vantagem competitiva.

A conta da corrida da IA

A preocupação não está apenas na tecnologia, mas também no custo para desenvolvê-la.

A Alphabet está ampliando agressivamente os investimentos em data centers, chips e capacidade computacional para treinar e operar modelos de inteligência artificial.

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A companhia chegou a levantar US$ 25 bilhões no mercado de dívida em agosto, em uma das maiores operações desse tipo, para financiar parte de seus investimentos.

O movimento ocorre em um momento em que investidores começam a cobrar das gigantes de tecnologia uma resposta mais clara para uma pergunta: quando todo esse gasto em IA vai se transformar em lucro?

A Alphabet já indicou que seus investimentos de capital continuarão crescendo. Analistas estimam que o aumento dos gastos pode pressionar o fluxo de caixa livre da empresa, obrigando-a a recorrer cada vez mais aos mercados de dívida e de ações para financiar a expansão.

A preocupação é compartilhada por outras empresas do setor.

Grandes grupos de tecnologia americanos têm recorrido ao mercado de títulos para bancar a construção de data centers e a expansão da infraestrutura de IA. Em 2026, a emissão de dívida ligada a esse movimento já alcançou cerca de US$ 220 bilhões, contra US$ 12,5 bilhões no ano anterior.

O mercado, portanto, começa a fazer uma distinção entre investir em IA e ganhar dinheiro com IA.

Google ainda tem vantagens

Apesar da queda, a situação da Alphabet está longe de configurar uma crise operacional.

A companhia continua sendo uma das empresas mais rentáveis e tecnologicamente avançadas do mundo. Seu negócio de buscas permanece robusto, enquanto a divisão de computação em nuvem vem crescendo rapidamente.

A empresa também possui chips próprios para inteligência artificial, os chamados TPUs, além de uma das maiores estruturas de computação do setor.

A própria Alphabet afirma que sua capacidade de desenvolver e lançar produtos de IA está no nível mais alto de sua história.

Segundo a empresa, o Gemini 3.7 Flash se tornou seu modelo de crescimento mais rápido e a plataforma Gemma já ultrapassou 1 bilhão de downloads.

Há também um dado que relativiza a queda: mesmo após o recuo desde maio, as ações da Alphabet ainda acumulam alta de cerca de 65% em 12 meses e continuam superando o desempenho de boa parte das demais gigantes de tecnologia.

O problema, portanto, não é a sobrevivência da Alphabet. É a expectativa.

Durante boa parte do último ano, os investidores trataram o Google como um dos vencedores mais prováveis da revolução da inteligência artificial. Agora, exigem provas de que os bilhões de dólares destinados à tecnologia resultarão em crescimento de receita e lucro.

A questão que passa a determinar o próximo movimento da ação é menos quem está trabalhando no Google e mais se a empresa conseguirá transformar sua enorme infraestrutura de IA em resultados financeiros concretos.

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