Dupla é denunciada por vender bebida com metanol que causou cegueira em vítima
Proprietário de estabelecimento comprava produtos de fornecedores sem exigir documentação fiscal sobre a origem
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio da promotoria criminal de Guarulhos, denunciou dois acusados de venda de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. Eles responderão, caso a Justiça os torne réus, por falsificação de produto. Há possibilidade de a dupla ser enquadrara no crime de lesão corporal, porque uma das vítimas comprou o produto falsificado e, após consumi-lo, perdeu a visão.
De acordo com nota publicada pelo MP paulista, “um dos denunciados era proprietário e responsável por um estabelecimento comercial na Avenida Guarulhos e adquiria bebidas de diversos fornecedores sem exigir documentação fiscal sobre a origem dos produtos, priorizando aqueles que ofereciam os menores preços. O outro acusado, por sua vez, fornecia parte das bebidas ao comerciante. Segundo a denúncia, ele adquiria vodcas de vendedores desconhecidos nas proximidades do Mercado Municipal de São Paulo, na região central da capital, e as entregava a estabelecimentos como se fossem produtos de uma conhecida marca de vodca, sem comprovação de origem ou autenticidade”.
O caso mais grave registrado até o momento ocorreu em 27 de setembro de 2025, quando uma vítima esteve no estabelecimento e bebeu o produto e, posteriormente, apresentou grave intoxicação por metanol e precisou ser internada. O quadro provocou perda completa e permanente da visão nos dois olhos. “Posteriormente, em 15 de outubro de 2025, foram apreendidas no estabelecimento diversas garrafas de vodca (…) parte delas sem comprovação de origem e procedência. A perícia constatou que oito amostras continham metanol em concentrações entre 34,6% e 40,9%, concluindo tratar-se de bebidas adulteradas, impróprias ao consumo e gravemente nocivas à saúde”, diz a denúncia da promotoria.
Em 2025, durante o surto de casos por consumo de metanol, mais de 20 pessoas morreram, enquanto mais de 70 casos de intoxicação foram registrados até dezembro do ano passado. O metanol é um álcool de uso industrial, empregado como solvente e combustível. No organismo, ele é metabolizado em compostos ainda mais tóxicos, capazes de provocar acidose metabólica, danos neurológicos e cegueira, além de levar à morte. A gravidade do quadro é agravada pelo fato de que os sintomas iniciais costumam se confundir com os de uma ressaca.
Segundo o Ministério da Saúde, os sinais de intoxicação por metanol costumam surgir entre 12 e 24 horas após a ingestão e incluem dor abdominal, náusea, confusão mental e alterações visuais. Diante desse quadro, a orientação é procurar imediatamente um serviço de emergência. Ao chegar à unidade de saúde, o paciente deve informar que consumiu bebida alcoólica e em qual contexto isso ocorreu. Nos casos confirmados, o tratamento indicado é a administração controlada de etanol farmacêutico, por via oral ou intravenosa, conforme avaliação clínica.






