Oferta Dia dos Pais: Receba 4 Revistas em casa por 32,90

Estudante negra abre mão de cotas por ‘quem precisa mais’

Caroline Barbosa, de 21 anos, é a favor da reserva de vagas, mas considera que sistema deveria priorizar negros que também sofram com privações econômicas

Por Guilherme Venaglia 24 out 2017, 11h15 | Atualizado em 4 jul 2026, 21h54
Estudante negra abre mão de cotas por ‘quem precisa mais’ Priorizar nos meus resultados Google

Quando chegou o momento de a estudante Caroline Barbosa, de 21 anos, prestar os vestibulares, primeiro para a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e depois o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ela fez uma opção que pode ser considera inusitada: apesar de ser negra e ter direito à cota racial, preferiu concorrer pelo sistema universal de seleção. Caroline participou e foi aprovada nos processos seletivos de 2013 e 2014, respectivamente.

Depois de disputar as vagas com todos os candidatos, ela passou no curso de Farmácia da Unesp e, pelo Enem, para a graduação em Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Caroline acabou optando não iniciar os cursos, por causa de uma decisão familiar de que não seria o melhor para ela estudar fora de São Paulo. Hoje, cursa engenharia de produção em uma instituição particular da capital paulista.

Segundo contou a VEJA, a razão por não ter utilizado as cotas foi de consciência. “Eu estudei em escola particular a vida inteira. Posso morar na periferia, mas eu nunca tive necessidade. Se participasse do sistema de cotas, roubaria a vaga de quem precisa mais do que eu”, afirmou.

A estudante deixa claro que é favorável à política de cotas, tanto raciais quanto sociais, e que a sua opção foi absolutamente pessoal. Para Caroline, o ideal seria que todos que tiveram o privilégio de receber uma boa educação e se preparar para o vestibular não se candidatassem para as vagas reservadas, mas que não se trata uma regra geral. “Eu tenho amigas que terminaram o Ensino Médio e não puderam fazer um cursinho, tiveram que ir direto trabalhar. Comigo não foi assim”, argumenta.

Continua após a publicidade

Discriminação

Questionada se a sua recusa significa que o critério econômico mereça atenção especial em relação ao racial, ela concorda, mas observa que a prioridade deveria ser as pessoas que sofrem o preconceito racial ao mesmo tempo em que enfrentam privações econômicas. “Só de você ser pobre, sendo branco ou negro, já é tão difícil. Sendo negro então, nossa, muito mais”.

Continua após a publicidade

Apesar da sua escolha de não se inscrever dentro do sistema de cotas, Caroline Barbosa dá exemplos de como ter uma condição socioeconômica acima da maioria não a impede de sofrer com o racismo: “Eu tinha um cabelo enorme alisado e cortei. Só dessa mudança, muita coisa já ficou diferente para mim. De ir em uma loja e as pessoas me olharem estranho até perder uma vaga de emprego”.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
OFERTA RELÂMPAGO

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).