Gilmar Mendes diz que decisão do MPF confirma ‘lisura’ de Gonet no caso Master
Decano do STF voltou a criticar André Mendonça ao comentar a decisão do Conselho Superior do Ministério Público
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal confirmou que “nada havia que impedisse” o procurador-geral da República, Paulo Gonet, de continuar atuando nos processos relacionados ao Banco Master. Em publicação na rede social X neste sábado, 26, Mendes também afirmou que a reputação do procurador foi submetida a “ataques rasteiros” nas redes sociais.
Ao comentar a decisão, Gilmar voltou a criticar André Mendonça, ex-relator do caso Master no STF. Segundo o ministro, o próprio relator já havia reconhecido em plenário a fragilidade das insinuações antes da decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal. Para Mendes, o reconhecimento posterior de que “nada de grave havia” nas conversas ocorreu depois que o sigilo foi levantado e as informações já haviam circulado.
“Tarde demais, e com uma tranquilidade desconcertante diante da qual não me calei”, escreveu o ministro. Na avaliação de Mendes, houve um “reparo tíbio e conveniente para quem causou o dano, mas inútil para quem carrega suas consequências”.
O ministro afirmou ainda que o dano à reputação de Gonet já estava consumado, porque o sigilo havia sido levantado e as manchetes já tinham circulado. Mendes classificou o episódio como um “retrato sem filtro de vazamentos seletivos” e afirmou que o inquérito, então sob André Mendonça, “curiosamente, ganhou tração conforme avançava o ciclo eleitoral”.
Crítica a afastamento na Polícia Federal
No mesmo texto, Gilmar Mendes relacionou o episódio ao afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que, segundo o ministro, ocorreu por decisão individual de Mendonça.
Mendes classificou a medida como “desproporcional” e afirmou que ela teve efeitos institucionais imprevisíveis, desarticulando, ainda que por breve período, o comando do órgão responsável pela segurança das fronteiras e pela repressão a crimes graves de caráter transnacional.
Segundo o ministro, a rápida reversão do afastamento evitou um dano maior. Para Mendes, embora sejam episódios diferentes, ambos expõem o que considera um mesmo problema: decisões individuais de grande alcance tomadas durante a fase de investigação, com efeitos sobre reputações e instituições que, segundo ele, são irreparáveis.
O ministro afirmou que os episódios reforçam sua defesa de que a figura do juiz de garantias também possa ser aplicada ao STF.
Ao final da publicação, Gilmar Mendes reafirmou sua solidariedade a Paulo Gonet e disse que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal confirmou a “lisura” do procurador-geral. O ministro também declarou solidariedade a Andrei Rodrigues, a quem descreveu como delegado de carreira com mais de 20 anos de serviços prestados ao país na área de segurança pública.
A decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, ontem, confirma o que já se sabia. Nada havia que impedisse o Procurador-Geral de seguir atuando nos processos do Banco Master, muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público.…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 26, 2026






