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Golpe do consignado é risco cada vez maior para aposentados pelo INSS

Terceira maior causa de reclamações no Procon em 2022, fraudes envolvem elaborados esquemas criminosos e até a participação de servidores da Previdência

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jun 2023, 18h17
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Os crimes relacionados aos empréstimos consignados não são novidade no Brasil — em 2022, essa modalidade de crédito foi a terceira maior causa de reclamações no Procon, com 57.874 registros em todo o país. No entanto, o “golpe do consignado” vem se tornando cada vez mais sofisticado e desponta hoje como uma das ameaças mais graves para aposentados e pensionistas do INSS que, graças à cooperação entre as quadrilhas e servidores da Previdência, podem se tornar vítimas sem nunca ter contato com os criminosos.

O crédito consignado do INSS é uma forma de empréstimo em que as parcelas são descontadas automaticamente na hora do pagamento dos benefícios, como pensões e aposentadorias. Para isso, é necessário que o beneficiado envie dados pessoais e uma “selfie” com o RG, isto é, uma foto de rosto segurando o documento para comprovar sua identidade. Na versão mais “tradicional” do golpe, os criminosos conseguem a foto e os dados ao entrar em contato com aposentados e pensionistas usando identidades falsas.

Em março, a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu uma quadrilha de dezesseis pessoas que ligavam para beneficiados do INSS fingindo ser servidores públicos informando a liberação de crédito consignado; quando a vítima negava ter contratado o empréstimo, o criminoso pedia informações pessoais e a selfie para um falso processo de cancelamento. Segundo a polícia, a quadrilha operava em uma espécie de “call center” onde havia um ranking de competição entre os golpistas pelo maior valor roubado.

Já em esquemas mais elaborados, os golpistas contam com a participação de servidores da Previdência para obter os dados das vítimas, que são utilizados para fazer alterações cadastrais no aplicativo “Meu INSS”, do Governo Federal. No último dia 16 de maio, a Polícia Federal deflagrou operação contra um grupo em São Paulo que, utilizando esta estratégia, é suspeito de prejudicar 22 mil segurados do INSS e desviar até 1 bilhão de reais dos cofres públicos.

Uma variação ainda mais sofisticada do golpe envolve o mercado ilegal de dados. Um relatório da Tenable, empresa americana especializada em segurança cibernética, aponta que hackers vazaram quase 1 bilhão de dados no Brasil em 2022 — boa parte dessas informações é vendida em grupos do Telegram ou na deep web, onde os golpistas conseguem ter acesso até mesmo às “selfies” usadas pelo INSS como comprovante de identidade. Este esquema permite, de maneira assombrosa, que o aposentado ou pensionista tenha seu nome usado para contratar falsos empréstimos consignados, enquanto o autor da fraude deixa um rastro praticamente indetectável.

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