Golpes disparam no Brasil e geram mais de 2,2 milhões de BOs em 2025
Estelionato se consolida como principal crime patrimonial no país; estruturas criminosas estão mais sofisticadas e ligadas às facções, avalia Fórum de Segurança
Os casos de estelionato no Brasil, incluindo golpes digitais, dispararam mais de cinco vezes nos últimos sete anos e resultaram em 2.261.055 boletins de ocorrência registrados em 2025. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira, 22.
Em todo o país, os registros de golpes cresceram alarmantes 430% desde 2018, quando foram contabilizados 427.000 casos. O volume de BOs indica uma taxa de 1.059,43 crimes por 100.000 habitantes no Brasil, superando em 20% a média dos Estados Unidos (882,83 por 100.000).
Golpes e fraudes em 2025, segundo BOs registrados
- Estelionato (todas as modalidades): 2.261.055 (+3%)
- Estelionato (por meio eletrônico): 346.753 (+21%)
Apesar dos esforços das polícias estaduais e federais na investigação, o cenário ainda é de impunidade: os crimes geraram 63.771 processos penais e resultaram na prisão de apenas 4.819 autores em 2025, parcela ínfima se comparada à multiplicação dos casos nos últimos anos.
Conforme o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a comparação com outras pesquisas aponta para uma forte subnotificação dos golpes, o que significa que o cenário pode ser bem mais drástico — uma sondagem anterior do Fórum, de março de 2026, indica que até 26,3 milhões de brasileiros já foram vítimas de um golpe ou perderam dinheiro pela internet em 2025.
Profissionalização dos golpes e entrada do crime organizado impulsionam casos
Segundo o Fórum de Segurança, o cenário de golpes digitais gera alerta para a crescente sofisticação e profissionalização das quadrilhas de estelionatários. Um fator agravante é a expansão de grupos ligados às facções do narcotráfico, como PCC e Comando Vermelho, nas estruturas de fraudes online.
“O volume crescente de reportagens vem documentando um padrão claramente industrial na aplicação dos golpes. Não se trata mais de estelionatários isolados agindo por conta própria, mas de operações estruturadas, com divisão de trabalho, roteiros escritos, metas de arrecadação e infraestrutura tecnológica dedicada”, avaliam Samira Bueno, Renato Sérgio de Lima e Isabela Sobral, autores do estudo.
As fraudes mais comuns incluem clonagem ou troca de cartão (45% dos casos), golpes aplicados pelo WhatsApp (34%), falsas centrais telefônicas de bancos (31%), estelionatos via Pix (24%), uso indevido de CPF via SMS (13%) e lojas ou leilões falsos na internet (10%). Os dados são de uma pesquisa Ipespe/Febraban de 2025 citada pelo Anuário de Segurança.






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