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Hortência Picciani: ‘Filhos do Bolsonaro não querem que Michelle tenha poder’

Exclusivo: viúva de Jorge Picciani fala sobre fase de influenciadora e vídeos com ‘conselhos’ para a ex-primeira-dama

Por Nara Boechat Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 jun 2026, 07h00
Hortência Picciani: ‘Filhos do Bolsonaro não querem que Michelle tenha poder’ Priorizar nos meus resultados Google

Viúva do ex-presidente da Alerj Jorge Picciani (1955-2021), Hortência Picciani, 37 anos, conhece a fundo os bastidores da política fluminense. Jornalista de formação, ela conheceu o ex-deputado quando trabalhava na comunicação do MDB e, anos depois, viu sua vida mudar com a Operação Lava Jato, que o levou à prisão. Em busca de respostas para compreender os processos que o condenaram por corrupção a 21 anos de prisão, decidiu cursar Direito. A experiência conjugal lhe abriu uma nova frente de atuação nas redes sociais. Com vídeos que misturam humor e personagens da política brasileira, Hortência tenta aproximar o público do tema que, segundo ela, costuma parecer “chato”. À coluna GENTE, ela fala sobre a inspiração para os conteúdos digitais, explica por que decidiu gravar vídeos com “conselhos” a Michelle Bolsonaro e reflete sobre a disputa judicial com os filhos de Picciani, Leonardo e Rafael.

Como surgiu a versão influenciadora? Política costuma ser um assunto chato. Fiz um curso de marketing digital que sugeria observar criadores de outros nichos, como advogados, e adaptar formatos para a sua área. Comecei a fazer isso na política, usando humor para explicar temas que as pessoas não acompanham. O político já entende de política. Meu objetivo é falar com a população que está fora desse ambiente.

E a série de conselhos para Michelle Bolsonaro? A partir de um vídeo de uma influenciadora comentando a vida de uma pessoa famosa. Vi que poderia fazer algo parecido usando experiências que vivi e relacionando a figuras públicas. Michelle me chamou atenção, pois acredito que a rejeição que ela enfrenta não é exatamente a mesma dos filhos do Bolsonaro. Além disso, há o fato de ser a segunda esposa. Depois passei a abordar situações envolvendo outras figuras, como a Janja, porque não queria parecer que estava falando apenas de um lado político.

Você vê semelhanças entre vocês? Quando Bolsonaro foi preso eu, que nem sou bolsonarista, fiquei com pena da Michelle. Outro dia li que ela disse: “não sei se terei um marido que cuide de mim”. E eu pensei exatamente assim. Não sei se vou ter uma pessoa que cuide de mim como cuidei do Jorge.

O conteúdo tem relação com sua experiência pessoal como madrasta? Sim. Não apenas comigo, mas com mulheres que vivem um segundo casamento. A ideia não era falar apenas da Michelle, mas mostrar que problemas familiares acontecem em todas as classes sociais. A primeira-dama, uma moradora da periferia ou qualquer outra mulher podem passar por conflitos semelhantes.

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Michelle Bolsonaro já respondeu a algum dos seus vídeos? Não. Nunca tivemos contato.

Acredita que ela enfrenta resistência dos enteados? Quando existe poder envolvido, as pessoas não gostam de dividi-lo. É injusto uma mulher passar por tudo o que passa ao lado do marido e depois ser vista como alguém que tem menos direito porque não é a mãe dos filhos dele. Os filhos do primeiro casamento já têm uma posição consolidada, e influência. Eu acredito que os filhos do Bolsonaro não querem que a esposa dele, que não é mãe deles, tenha poder.

Como você se define politicamente? Mais ao centro. Concordo com algumas pautas da direita e outras da esquerda. A polarização cega as pessoas. Quem está muito ligado a um lado tende a acreditar que tudo o que o adversário faz está errado. E isso não corresponde à realidade.

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Mulheres são mais cobradas na política? Sem dúvida. Mulheres em posições de destaque recebem críticas o tempo inteiro. Isso acontece com a Michelle Bolsonaro, com a Janja e até com a ministra Cármen Lúcia, do STF. Quanto maior a exposição, maior a chance de críticas.

Como foi o período da prisão de Jorge Picciani? Quando entrei na faculdade de Direito, sentia que as pessoas me olhavam como “a esposa do corrupto”. Com o tempo, isso mudou. Hoje não tenho mais vergonha. Eu defendo o Jorge com unhas e dentes, pois ele era uma pessoa boa. Não acredito que tenha feito o que falaram. Teve muita irregularidade [na Lava Jato]. 

O que aprendeu ao conviver tão de perto com a política? Que o poder é perigoso. As leis existem para proteger as pessoas delas mesmas e do próprio Estado.

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Homem idoso de camisa polo vermelha abraça um bebê de camisa branca e lenço azul, que está no colo de uma mulher sorridente com vestido floral e cabelo escuro, em um ambiente decorado com balões vermelhos e verdes
Hortencia com o filho e Jorge Picciani, durante prisão domiciliar do político, em 2019 (./Arquivo pessoal)

Tem vontade de se candidatar novamente? Não. Para disputar uma eleição de forma séria, é preciso construir um projeto durante anos. Não faz sentido aparecer poucos meses antes pedindo votos. Mas acredito que poderia contribuir para a população em diferentes funções, não necessariamente em um cargo eletivo.

Como está sua relação com os filhos do Jorge Picciani? É um assunto que não quero falar. Também não posso falar.

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O que pensa sobre a situação envolvendo os filhos do Picciani? Onde o Jorge estiver, não está feliz com o que aconteceu. Mas é algo que entrego nas mãos de Deus. Todo mundo amadurece em algum momento da vida. A gente tem que torcer para que amadureçam. 

Você fala sobre Jorge Picciani para seu filho? Falo que o pai dele era uma pessoa boa. O Vincenzo é muito parecido com o pai. É um menino extremamente educado, gentil e carinhoso. Jorge também era assim. Quando chegava do trabalho ou da pós-graduação, ele preparava uma mesa para me receber. Era um homem atencioso. Faço questão de contar isso para o meu filho.

Seu filho tem contato com os irmãos? Não tem mais. E eu também nem quero mais que tenha.

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(Agora a coluna GENTE também está no Instagram. Siga o perfil @veja.gente)

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