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Justiça cassa liberdade condicional, e ex-goleiro Bruno pode voltar para cadeia

Decisão atende pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e remonta a janeiro de 2023

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 fev 2026, 16h40 | Atualizado em 6 fev 2026, 17h06
Justiça cassa liberdade condicional, e ex-goleiro Bruno pode voltar para cadeia Priorize VEJA no Google

A Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro decidiu nesta sexta-feira, 6, tornar sem efeito o livramento condicional do ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado a 22 anos de prisão pelo homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio. Mais cedo, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu que o benefício fosse revogado por Bruno não ter sido “localizado nos endereços informados ao Juízo para a assinatura do Termo de Cerimônia”.

A informação só foi recebida pela Promotoria em 15 de janeiro de 2026, três anos após a solicitação inicial. É de entendimento do Ministério Público, então, que o benefício nunca foi propriamente efetivado, o que levou ao pedido para que “seja tornado sem efeito de maneira imediata”. Em nota a VEJA, o MP do Rio adiantou que “caso o Judiciário concorde com o Ministério Público, pode ocorrer a prisão do apenado (Bruno Fernandes), que cumpria pena em regime semiaberto antes de receber o benefício do livramento condicional”.

Na quarta-feira 4, Bruno foi ao Maracanã, na Zona Norte do Rio, para assistir o jogo entre Flamengo e Internacional, que terminou com um vaiado empate. Foi goleiro rubro-negro de janeiro de 2007 a 2010, quando o time carioca decidiu rescindir o contrato em meio a investigações da morte de Eliza.

Ele foi preso em 2013, passou para regime semiaberto em 2019 e estava em liberdade condicional até a decisão desta sexta. Agora, Bruno tem até cinco dias para comparecer ao Conselho Penitenciário para oficializar o benefício. Caso contrário, pode voltar à cadeia.

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Morte de Eliza Samudio

Uma reportagem de VEJA de 2012 trouxe informações inéditas sobre a morte de Eliza Samudio, revelando detalhes técnicos, científicos e testemunhais sobre a articulação de Bruno e seu bando para atrair, sequestrar, matar e dar sumiço ao corpo da modelo. A morte foi planejada, segundo a apuração de VEJA, por pelo menos cinco meses.

Entre 9 de novembro de 2009 e 7 de maio de 2010 – 35 dias antes de morrer -, ela trocou centenas de mensagens por MSN com amigos. O caso de Eliza com Bruno (que era casado e tinha noiva e uma amante fixa) veio à tona em outubro de 2009, quando ele e Macarrão a procuraram, espancaram, encostaram uma arma em sua cabeça e lhe deram à força um abortivo que não funcionou.

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Eliza denunciou a agressão e, com medo da reação de Bruno, refugiou-se na casa de amigos, sem revelar seu paradeiro. O temor de ser encontrada fica evidente nas conversas, nas quais ela insiste que “Bruno é maluco” e que à “terra do Bruno vou só com passagem de ida. Vão me matar lá”. A partir de janeiro de 2010, um mês antes de o bebê nascer, amigos do goleiro (nunca ele mesmo), sempre por MSN, começaram a pedir a Eliza seu endereço e a tentar atraí-la de volta ao Rio.

Por fim, Eliza foi vencida pela promessa de um apartamento mobiliado e pela exibição de um contrato em que Bruno se comprometia a fazer exame de DNA e a pagar pensão de 3.500 reais. Chegou ao Rio com o bebê em maio de 2010 e se instalou em um hotel (bancado por Bruno) na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, próximo à casa do goleiro. De lá, ela foi levada a um sítio do goleiro Bruno em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde foi morta.

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