Mar de lama de Lula e Flávio pode explicar avanço de Cury na pesquisa BTG/Nexus; entenda
Psiquiatra que se anuncia como desbravador na selva política saiu de 2% para 11% na pesquisa BTG/Nexus, após aparições na televisão
Nas redes onde os memes voam, uma das postagens com milhares de compartilhamentos, curtidas e comentários anuncia o que Augusto Cury, o psiquiatra candidato a presidente da República, teria a oferecer a um país abalado emocionalmente por anos de polarização.
“O Augusto Cury é psiquiatra e é disso que o Brasil está precisando: Bolsa Saúde Mental, Auxílio Rivotril, Minha Terapia, Minha Vida e inflação só de serotonina”, diz uma postagem no Instagram.
O brasileiro é mestre em rir da própria desgraça. Depois de anos de governos petistas marcados por escândalos e crises econômicas que fizeram o país andar para trás, os brasileiros acharam que o melhor caminho para mudar seria levar o bolsonarismo ao Planalto. A aventura de Jair Bolsonaro já é história, mas foi tão politicamente desastrosa que fez o Brasil voltar a querer o petismo no Planalto em 2022.
Lula, com seu governo cheio de ideias recicladas e os velhos métodos de sempre, é candidato ao quarto mandato presidencial, disputando com um filho de Bolsonaro a liderança das pesquisas.
A campanha eleitoral que está nas ruas e nas redes é um mar de lama. Lula e Flávio disparam denúncias e resgatam escândalos para tentar provar que o adversário é mais sujo e não merece o voto do brasileiro trabalhador e pagador de impostos.
Nesse cenário de desespero, o eleitor que não é polarizado parece ter se encantado com o surgimento do forasteiro da saúde mental. O avanço de Cury, retratado nesta segunda-feira pela nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, mostra que a terceira via pode ter encontrado uma forma de se comunicar com o eleitor das redes que rejeita seguir no mesmo estado de coisas problemáticas com Lula ou voltar ao passado com um dos filhos de Bolsonaro.
Depois de surgir no primeiro debate cobrando o básico — educação e bons modos — dos adversários e de ser entrevistado na bancada do Jornal Nacional, Cury passou de 2% para 11% na pesquisa.
Em suas falas, Cury mostrou que pouco entende de economia e de coisa pública — se atrapalhou em diferentes momentos da entrevista no fim de semana –, defende umas ideias meio duvidosas com drones e robótica, mas seu discurso de quem está farto de ser refém de petistas e de bolsonaristas parece ter encontrado simpatizantes.
É esse sentimento de orfandade do eleitor que pode estar impulsionando a figura do psiquiatra multimilionário que se anuncia um desbravador na selva política. Cury se apresenta como alguém que decidiu sair de sua zona de conforto para fazer alguma coisa pelo país. É um indignado como tantos outros endinheirados que se arriscaram a disputar o Planalto em eleições passadas.
O sentimento de cansaço do eleitor nos dias atuais, no entanto, é um fenômeno ainda pouco entendido pelas pesquisas. Sabe-se que a maioria do país rejeita o bolsonarismo e o petismo, mas ninguém até agora tinha conseguido se posicionar como representante desse sentimento. Será Cury?
O fenômeno registrado na pesquisa BTG/Nexus ainda precisa ser melhor analisado — é preciso ver se outros institutos captam a mesma situação –, mas não deixa de ser um sinal de alerta a Lula e Flávio Bolsonaro. O país está cansado de tanta lama.







