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Marco temporal: como Alcolumbre irá usar polêmica indígena para confrontar Gilmar

Presidente do Senado traz nova PEC sobre o assunto à mesa de votação; ministro é relator do caso e promoveu várias audiências em busca de acordo

Por Bruno Caniato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 dez 2025, 12h42 | Atualizado em 8 dez 2025, 16h34
Marco temporal: como Alcolumbre irá usar polêmica indígena para confrontar Gilmar Priorize VEJA no Google

Dois anos após ser aprovado pelo Congresso, vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, restaurado pelo Congresso e judicializado no Supremo Tribunal Federal, o marco temporal das terras indígenas volta a ser usado como termômetro de força política entre os Poderes. Às vésperas de um julgamento no STF que pode enterrar de vez a lei promulgada em 2023, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautou uma PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre demarcação de territórios para ser votada na próxima terça-feira, 9.

Apresentada em setembro de 2023, a “nova” PEC do marco temporal traz no cerne a mesma ideia do projeto que virou pomo da discórdia naquele ano: proibir a demarcação de terras indígenas que não estivessem ocupadas pelos povos originários em 5 de outubro de 1988, data em que foi promulgada a Constituição Federal. Mesmo após o STF declarar a tese inconstitucional, a medida foi transformada em lei pelo Congresso — na próxima quarta-feira, 10, a Corte começa a julgar um pacote de ações que buscam derrubar a legislação.

Entre as motivações para a volta do imbróglio sobre terras indígenas, há pouco de preocupação social e muito de embate político. A manobra de Alcolumbre é uma reação frontal à decisão de Gilmar Mendes de vetar pedidos de impeachment de ministros do STF movidos por senadores ou cidadãos comuns — na prática, o impedimento de magistrados da Corte passa a ser competência exclusiva da Procuradoria-Geral da República (PGR). Decano do Supremo, Gilmar é também relator das ações que pedem a invalidação do marco temporal promulgado em 2023 e promoveu várias audiências para discutir o tema, em busca de um texto mais consensual — o julgamento da ação deveria ter começado no plenário virtual na última sexta-feira, 5, mas foi adiada porque decidiu-se que a sua apreciação será no tribunal físico.

A decisão de Gilmar estremeceu relações entre Justiça e Congresso, suscitando acusações de Alcolumbre e outras lideranças políticas contra o STF por tentativa de interferência em assuntos do Legislativo. Além da ofensiva envolvendo o marco temporal, o presidente do Senado se movimenta para levar à votação uma nova Lei do Impeachment que, na contramão da tese do ministro, aumenta a lista de crimes de responsabilidade que podem levar ao impedimento do presidente da República e amplia o rol de autoridades públicas que podem ser afastados, incluindo juízes, desembargadores e membros do Ministério Público.

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A escalada de tensões ocorre em um momento delicado para Davi Alcolumbre, após o senador ser citado em investigações da Polícia Federal contra facções criminosas. O nome do presidente do Senado aparece em um contexto inusitado — em 2024, ele teria recebido canetas do medicamento Mounjaro, usado para emagrecimento, como presente do empresário Roberto Leme, o “Beto Louco”, alvo da PF por suspeitas de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizando postos de combustíveis.

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