Mineração de ‘criptogatos’ se expande no DF, e polícia tenta chegar a financiadores
Atividade que explora o furto de energia para produzir criptomoeadas avança para área urbana; prejuízos para rede elétrica chegam a R$ 8 milhões
Após transformar a zona rural da pequena São Sebastião, região administrativa do Distrito Federal, em um polo de fazendas de mineração ilegal de criptomoedas, como revelou reportagem de VEJA, bandidos especializados na tecnologia agora avançam para áreas urbanas. Nesta terça-feira, 12, a Polícia Civil do DF desmontou a décima central de “criptogatos” – apelido dado ao negócio clandestino, que funciona por meio do furto de energia – descoberta desde janeiro: desta vez, a rede de super computadores estava montada em área densamente povoada no distrito de Arniqueira, próximo a Águas Claras.
A ação teve a participação da concessionária Neoenergia, que calcula um prejuízo de R$ 8 milhões com os furtos na rede elétrica revelados somente este ano com a atividade – o volume daria para abastecer mais de 120 mil pessoas durante um mês. Investigadores suspeitam que há uma organização criminosa por trás de todo esse sistema, caro e ousado.
Na operação deflagrada ontem, a quinta deste ano, foram apreendidas 16 máquinas de alto desempenho funcionando 24 horas por dia por meio de uma ligação clandestina de 300 amperes, conectada diretamente à rede elétrica. A energia desviada mensalmente seria suficiente para levar luz a cerca de 200 residências. O responsável pelos computadores não foi encontrado, mas o proprietário do imóvel será intimado. A polícia tenta chegar aos financiadores do esquema.
De acordo com a Neoenergia, além do prejuízo financeiro, a fraude coloca em risco a população ao provocar sobrecarga na rede, oscilações de tensão, interrupções no fornecimento e possibilidade de incêndios. Gerente de Gestão da Receita da concessionária, Arthur Franklim diz que a expansão das mineradoras ilegais para bairros residenciais acende um alerta: “A ousadia desses grupos cresce a cada operação. Não se trata apenas de furto de energia, mas de uma prática que compromete a segurança da vizinhança e afeta diretamente os clientes que pagam suas contas em dia”.
Desde janeiro, 670 computadores fabricados especialmente para executar a tarefa de validar transações com criptoativos – os modelos de última geração custam em média R$ 30 mil – foram apreendidos no DF. VEJA mostrou em abril que cada unidade dessa consome energia equivalente à de um chuveira elétrico ligado ininterruptamente. A montagem de uma mineradora clandestina não sai por menos de R$ 1,5 milhão.






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