Morre o escritor e jornalista Zuenir Ventura, aos 95 anos
Ele ocupava a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL)
Morreu nesta terça-feira, 22, aos 95 anos, o jornalista e escritor Zuenir Ventura, um dos nomes mais importantes do jornalismo brasileiro.
Filho do pintor de paredes José Ventura e da dona de casa Herina de Araújo, Zuenir Carlos Ventura nasceu em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba (MG). Aos 11 anos, mudou-se com a família para Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio, onde conciliava os estudos com a ajuda ao pai no trabalho e também atuou como office-boy. Incentivado pela mãe a não abandonar a formação escolar, ganhou ainda adolescente uma bolsa de estudos em troca de dar aulas para crianças do ensino primário, experiência que despertou seu desejo de ser professor. Aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar Letras Neolatinas na Universidade do Brasil, atual UFRJ.
Com uma carreira de mais de seis décadas, Zuenir passou por veículos como O Cruzeiro, Visão, Jornal do Brasil, IstoÉ e O Globo. Também recebeu o Prêmio Esso e o Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo e ganhou o Jabuti de Reportagem pelo livro Cidade Partida, publicado em 1994. Entre seus trabalhos mais conhecidos está 1968: O Ano que Não Terminou (1989). A obra reconstituiu acontecimentos políticos e culturais marcantes daquele período e posteriormente inspirou a minissérie Anos Rebeldes, da Globo. Zuenir também escreveu Chico Mendes – Crime e Castigo, Crônicas de um Fim de Século e Minhas Histórias dos Outros. Desde outubro de 2014, ele ocupava a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL).
Em 2018, Zuenir foi homenageado pelo conjunto de sua obra no 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. Na ocasião, a entidade destacou a trajetória de mais de seis décadas do jornalista. A homenagem ocorreu em um momento simbólico, quando se completavam 50 anos de 1968, tema de sua obra mais conhecida.
Em 2026, ano em que completou 95 anos, sua trajetória foi retratada no documentário Mestre Zu, dirigido por Zelito Viana. O filme reúne depoimentos de amigos e colegas para reconstruir a carreira do jornalista e escritor, reconhecido por sua atuação na reportagem e na interpretação de questões sociais e políticas brasileiras.
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