MP processa influenciador de SC que diz que ‘pobre não deveria votar’
Leonardo Marcondes produz vários conteúdos nas redes sociais ensinando seguidores a enriquecer e apontando comportamentos 'de pobre'
O Ministério Público do estado de São Paulo ingressou com uma ação contra o influenciador digital Leonardo Marcondes, que viralizou nas redes sociais após publicar um vídeo afirmando que pessoas pobres “não deveriam ter direito de votar”. Na ação coletiva, a Promotoria pede que o coach de finanças seja condenado a pagar uma indenização de 300.000 reais por danos morais coletivos.
Marcondes é um ex-atleta profissional de vôlei que vive em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. Com 1,3 milhão de seguidores no Instagram, ele vende conteúdos ensinando seus seguidores a enriquecerem. Em dezembro passado, ele publicou um vídeo com a legenda “pobre não deveria ter direito de votar”. “Uma pessoa que é pobre não soube tomar boas decisões para ter o melhor para a sua família e para si mesmo. Quem não tomou boas decisões, até sobre o que é melhor para si mesmo, agora vai tomar uma decisão sobre o que é melhor para um país?”, diz o coach no vídeo, enquanto come um prato de pitaias.
O conteúdo teve 255 mil visualizações no perfil do influenciador, mas foi replicado em várias páginas. No entanto, esse não é o único conteúdo de Marcondes com esse tom: em várias outras publicações das suas redes sociais, há vídeos com legendas como “pobre é sujo”, “pobre não deveria ter filhos” e “pobre é fedido”.
A ação, assinada pelo 1º Promotor de Justiça de Direitos Humanos Ricardo Manuel Castro, acusa o influenciador de aporofobia, que é o preconceito contra as pessoas mais pobres. Na petição, o MP afirma que o coach “publica diversos conteúdos aporofóbicos, tendo em vista que ele relaciona o lugar que mora, as músicas que ouve, as roupas que vestem a pessoas pobres” e que “demonstra desprezo a um grupo de pessoas, que segundo ele, são improdutivas, não dão nada em troca e não são capazes de dirigir a própria vida e, que, portanto, não deveriam ter direito ao voto (rotula pessoas por se julgar um ser superior)”.
Trechos do depoimento que Marcondes deu ao MP revelam que ele justificou seus conteúdos afirmando que se refere a pobre no “no sentido figurado (de decisão, de mentalidade)” e que não possui nenhum formação acadêmica. Ele disse ao MP que se matriculou em oito cursos em oito faculdades diferentes, mas não concluiu nenhum.
“O requerido (Marcondes), assim, utiliza de seu discurso de ódio em sua rede social para inescrupulosamente atrair público pagante para curso ou palestras ministrados, pasmem, sem sequer ter qualificação profissional para oferecê-los, tendo em vista que meras matrículas em oito diversos cursos não o qualificam absolutamente a nada, a não ser a eventual título de aspirante a estudante”, diz outro trecho da ação.
A Promotoria pede que o influenciador pague R$ 300 mil em danos morais coletivos, apague a publicação em que diz que pobres não deveriam votar e faça, durante um ano, um curso de letramento sobre inclusão social”. A ação foi protocolada no último dia 25 e divulgada pelo MP paulista nesta segunda, 29.
A reportagem entrou em contato com a equipe jurídica do influenciador por e-mail, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço está aberto para manifestação. Nas redes sociais, Marcondes publicou uma série de vídeos de uma viagem que está fazendo no Chile.






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