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Na Bahia, até sucata de caminhão é usada para desviar dinheiro público

De acordo com o prefeito, veículo funciona, ficou parado apenas por um mês e serve muito bem ao município

Por Hugo Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 mar 2025, 14h00
Na Bahia, até sucata de caminhão é usada para desviar dinheiro público Priorizar nos meus resultados Google

O Ministério Público da Bahia já denunciou vários casos de corrupção no município de Iaçu, distante 280 quilômetros de Salvador, onde mais da metade dos 24 mil habitantes sobrevive com a ajuda do Bolsa Família. Conforme mostrou VEJA em junho de 2024, o prefeito Nixon Duarte Muniz Ferreira (PSD) foi acusado, entre outras coisas, de criar uma empresa em nome de “laranja” para desviar dinheiro público. Apesar da gravidade das denúncias, ele foi reeleito no ano passado.

Em seu novo mandato, Nixon está sendo alvo de mais uma acusação. De acordo com o MP, ele desviou dinheiro dos cofres da prefeitura de uma maneira bem pitoresca: simulando que abastecia um caminhão que nem as rodas tinha. Os procuradores também descobriram que ônibus escolares do município foram usados na fraude.

O caminhão da prefeitura — na verdade uma sucata enferrujada, sem rodas e motor — está parado há mais de quatro anos no pátio da Secretaria de Transportes de Iaçu. Apesar disso, o MP encontrou na prestação de contas do município dezenas de notas fiscais de abastecimentos de combustível para o veículo. Os pagamentos variaram de 1 200 a 4 000 reais.

A Associação Dissensão Contra Corrupção, que acompanha as contas públicas dos municípios, diz que a carcaça do caminhão foi utilizada para desviar 99 mil reais.

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iaçu
Comprovantes de abastecimento da sucata de caminhão, entre 2021 e 2023 – (MP da Bahia/Reprodução)

No caso dos ônibus escolares parados, os valores são bem maiores. Mesmo com a ausência de aulas presenciais durante a pandemia, a prefeitura gastou 927 mil reais para abastecer os veículos do município. O Ministério Público pediu à Justiça para decretar a indisponibilidade de bens do prefeito.

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Prefeito diz que caminhão ficou parado somente 30 dias

Nixon disse a VEJA que tudo não passa de um mal entendido. “Essa denúncia já está sendo arquivada”, garantiu. “Já fizeram 24 denúncias contra mim e não fui condenado em nenhuma delas”, afirma, ressaltando que as acusações são fruto de  perseguição política da oposição.

Mesmo com os sinais evidentes de que o caminhão não circula há muito tempo, o prefeito insiste que a sucata serve à Prefeitura. “O caminhão ficou apenas 30 dias quebrado e botaram lá que ficou quebrado três anos”, garantiu.

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