Na região onde prédio explodiu em SP, moradores relatam descaso da Sabesp
População diz ter alertado técnicos sobre cheiro de gás antes da detonação e denuncia disparada da conta de água após obras recentes
A explosão de um prédio que deixou uma pessoa morta e três feridas em Jaguaré, bairro na zona oeste de São Paulo, causa indignação e medo entre moradores da região. O incidente ocorreu na tarde da última segunda-feira, 11,após o rompimento de uma tubulação de gás durante uma obra da concessionária Sabesp no local.
Segundo a Defesa Civil estadual, a explosão afetou ao menos 160 moradores das ruas Floresto Bandecchi, Piraúba e Doutor José Benedito de Moraes Leme. Devido ao risco de novos desabamentos, algumas famílias ficaram mais de 24 horas sem previsão de retorno para suas casas — na noite de terça-feira, 12, as equipes técnicas liberaram 86 residências e interditaram cinco imóveis completamente e quatorze parcialmente.
“Sabemos que as famílias têm urgência de voltar para buscar seus pertences, mas não podemos deixar o cenário inseguro para elas”, disse ontem o tenente Maxwel Sousa, da Defesa Civil de São Paulo. O órgão trabalha para classificar as residências em quatro níveis de segurança conforme a necessidade de interdição parcial ou total — desde ontem, 46 imóveis foram interditados e ao menos dez sofreram destruição total.
Uma câmera de segurança localizada na Rua Piraúba capturou o momento exato da explosão (assista ao vídeo abaixo). Quatro pessoas foram diretamente atingidas, sendo três moradores da região e um funcionário da Sabesp — um homem de 49 anos morreu e outros dois estão internados em estado grave, incluindo o trabalhador da concessionária.
Até o momento, a explosão é atribuída a um erro ocorrido durante uma obra local da Sabesp, com apoio da concessionária Comgás, que teria rompido acidentalmente uma tubulação de gás enquanto realizava intervenções na rede de abastecimento de água. As causas específicas, conforme a Defesa Civil, ainda estão sendo apuradas.
“O cano foi rompido. Nós disponibilizamos toda a documentação para as autoridades competentes e agora estamos aguardando o resultado da perícia”, declarou na terça-feira a diretora de Relações Institucionais da Sabesp, Samanta Souza. Segundo a porta-voz, a concessionária pagará um auxílio emergencial de 5.000 reais às famílias afetadas, sendo que 194 pessoas já teriam recebido uma parcela de 2.000 reais desde segunda-feira.
A Comgás, por sua vez, afirmou que seria “prematuro” afirmar se já havia um vazamento prévio de gás antes da intervenção iniciada ontem, limitando-se a confirmar que o dano foi causado pela obra conjunta e que o episódio está sendo investigado. “As autoridades de fiscalização farão seu serviço e apurarão todas as questões técnicas e responsabilidades em relação a esse incidente”, disse Bruno Dalcolmo, diretor institucional da Comgás.
Moradores sentiram cheiro forte de gás horas antes da explosão
A obra começou na manhã de ontem na Rua Piraúba. A VEJA, moradores do bairro, que preferiram não se identificar, relatam ter sentido um forte cheiro de gás de cozinha que começou a se propagar pela rua e os arredores por volta das 13h.
Um morador fotografou um dos buracos perfurados pela Sabesp, onde relatou ser a origem do cheiro de gás — moradores ouvidos pela reportagem afirmam que neste ponto, sabidamente, o encanamento de água passa muito perto da tubulação de gás e sofre um desvio em razão do declive da rua. A despeito das queixas da população, a obra teria continuado, e a explosão ocorreu pouco mais de três horas depois, às 16h10.
Quando a reportagem chegou ao local, todos os buracos da obra na Rua Piraúba e na paralela Rua José Benedito de Moraes já haviam sido cobertos.
População denuncia contas de água acima de 1.400 reais após obras recentes da Sabesp
Outra queixa dos moradores do bairro Jaguaré é a elevação estratosférica das contas de água nos últimos meses, após uma série de intervenções da Sabesp na região, a mesma onde ocorreu a explosão de ontem.
Uma comerciante local, que preferiu não se identificar, mostrou à reportagem que sua cobrança saltou de 40 reais em janeiro de 2026 para 498 reais em abril, sem que houvesse uma mudança nos padrões de consumo. Ela vive com o marido e dois filhos e afirma que a família passa a maior parte do dia fora de casa.
Outras faturas enviadas à reportagem de VEJA pela população local exibem cobranças igualmente absurdas para imóveis residenciais. Uma moradora chegou a ser cobrada em 1.473 reais, sendo metade disso em abastecimento de água e a outra em tratamento de esgoto, em julho do ano passado, enquanto uma vizinha recebeu uma conta de 832 reais no mesmo mês.
Os moradores relatam, ainda, que tentaram contestar as cobranças junto à Sabesp, mas não tiveram os valores revisados e chegaram a ter o fornecimento de água cortado por inadimplência. “Já fizemos reclamação pessoalmente, já fizemos no Reclame Aqui, mas não tem acordo e não temos como pagar”, desabafa uma mulher que mora na região.
A reportagem de VEJA questionou a Sabesp sobre o encarecimento das contas de água do bairro e aguarda um posicionamento da concessionária.






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